Mostrando postagens com marcador dihwolff. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dihwolff. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Aniversários Importantes e Aniversários Muito Importantes

De repente você se dá conta de que dia é hoje. E você percebe que, apesar de fazer tempo que o dia 27 de novembro tem sido em mundos distintos ano após ano, ele continua sendo uma data especial.

Hoje, dia 27 de novembro, dia de lembrar de alguém importante. É interessante pensar no aniversário de uma pessoa que não é você. Independente de quem seja, lembrar-se da data prova que trata-se de alguém especial. Mas a data do aniversário de alguém realmente importante, de alguem que foi responsável pelo nosso nascimento, ou que foi responsável por nossa educação. Ou que foi (e é) responsável por nosso "patrocínio" durante tempos de estudo, festas, enfermidades, jogos, viagens, família... Ou que, mesmo ausente, garantiu o sustento de nossa casa.

Mais especificamente sobre o meu pai, o que poderia dizer? Não tenho palavras para agradecer, descrever, ou algo do tipo.

Meu pai, Edemilson, sempre esteve ali. Mesmo sem saber de todas as coisas que acontecem e aconteceram comigo, sempre se esforçou por me garantir o melhor, por me fazer ser uma pessoa melhor. Ah, meu pai, se soubesse o quanto sou grato por isso! Infelizmente, não há como demonstrar ou explicar um sentimento. A única coisa que posso fazer é agir de acordo com aquilo que sinto. Mas este tipo de coisa só pode ser percebido ao longo dos anos, quando, no fim de sua vida, você puder observar todos os resultados de seus esforços por mim. Eu bem sei que em alguns momentos você quis brigar comigo, me impedir de fazer algumas coisas, assim como também quis dar muito mais do que pode me dar em algumas oportunidades. Por vezes lamentei o fato de não ter alguns bens ou todo conforto que sempre quis, mas pelos seus esforços, tenho certeza de que, se pudesse, teria me dado muito mais além do tudo que tive, de tudo que já tenho. Eu vejo, pai, outros amigos que andam comigo. Vejo-os agindo de modo a fazer com que eu me pergunte onde estão os pais daqueles jovens, o que fazem os pais daqueles jovens, por que permitem que certas coisas aconteçam? Por que eles não tem o mesmo cuidado que você tem comigo? É triste, porque eu sei que mesmo andando com eles, mesmo com tantas influências para me desviar de meus caminhos, suas palavras nunca passam despercebidas em meus dias. Eu já cometi, sim, muitos erros. Já me enganei e enganei algumas pessoas. Porém, suas palavras ecoam em meus ouvidos e, com o tempo, com as experiências, vou aprendendo mais e mais, reafirmando minha personalidade, moldando meu ser para poder me transformar em uma boa pessoa, um bom homem, um bom pai.

Agora, na posição de pai, fico imaginando meus dias de infância, quando você me observava, chamava minha atenção para alguns detalhes da vida, até mesmo quando brigava comigo. O que mais você poderia ter feito para não precisar brigar? E eu sinto que não há o que pudesse ter feito. O problema, por vezes, foram minhas más inclinações, frutos de um passado que ainda insiste em existir. Será que meu filho terá problemas parecidos com os que eu fiz você enfrentar? Espero que não mas, caso tenha, pelo menos já sei uma forma de lidar com estes problemas. E, felizmente, posso dizer que esta forma é amável, pacífica e rigorosa o suficiente pra (me) fazer abrir os olhos.

Após tantos anos de vida, tantas experiências boas e ruins, a que mais se destaca, para mim, é a de ser pai, evidentemente. E, como pai, posso dizer com toda certeza que você é um ótimo pai, um exemplo de dignidade, respeito, confiança e coragem. É claro que você não é um indivíduo perfeito. Mas, como meu pai, soube dar os exemplos e broncas que eu precisei. Soube ser parceiro, caroneiro, educador, administrador, soube ser o suficiente para ser luz e me guiar por caminhos com muitas sombras. Graças à sua luz (mais a da minha mãe, evidentemente) soube transformar estas sombras em minhas amigas e não em buracos negros que me fizessem perder o rumo, cair nas vicissitudes do mundo e enegrecer ainda mais minha alma já calejada do passado vivido.

Feliz aniversário, meu pai. E que os bons ventos tragam paz para seus dias, para se fazer luz sempre mais brilhante diante dos que convivem contigo. Amo você.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Poesia Nunca se Perde

Há muito tempo (tanto tempo que já não sei quanto tempo faz) escrevi este poema, inspirado em uma pessoa. Sem focar nesta personagem da história da minha vida, e sim na escrita propriamente dita, esta foi uma de minhas obras mais harmônicas, se não a mais entre todas, e gostaria de compartilhá-la com vocês. As musas, como disse em um post há pouco passado, são a chave para a escrita e são extremamente relevantes para qualquer produção. Entretanto, quero, nesta ocasião, ressaltar não a musa, mas a escrita.

Lembrem-se de deixar um comentário, aqueles que o desejarem. Palavras, quando direcionadas a algo - e principalmente a alguém - nunca são apenas um conjunto de códigos binários dispostos em lacunas paralelas, e sim um conjunto de pensamentos vivos, estruturados e localizados em um tempo-espaço próprios, carregados dos sentimentos de quem as escreveu.

Ilúvatar esteja com vocês.

Pour Tu

Na tela vejo as letras
Correndo livres, enquanto eu
Fico aqui, sentado, pensando
No dia em que esse amor nasceu

Nem consigo me lembrar
Talvez esteja perdido
Aqui, ali, em algum lugar
Que não me seja conhecido

Mas é certo que ele existe
Porque se assim não fosse
Não viveria sem que te visse
Não correria pra onde você fosse

Enquanto eu ainda não posso
Segurar a sua mão
Escrevo poeminhas em que roço
Meu sentimento em seu coração

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Elástico

Não foi um dos melhores, mas num momento de delírio consegui escrever este texto. Parece que os próximos textos serão mais longos do que era comum ao passado, mas sigo com aquela vontade de sempre, à mercê da inspiração, para produzir mais e mais, e cada vez mais sinto vontade de continuar, e escrever, e ler e partilhar.

"Jack Johnson tem um ritmo agradável. Fez, a partir do reggae, melodias bastante peculiares, com influência da música havaiana e alguns outros elementos que ele utiliza, juntamente com sua voz quase sussurrada. Um dos melhores músicos da atualidade, eu diria. Mas em minha mente, em meu cérebro, cada vez que acaba uma música, há alguma melodia dos anos 1970 ecoando no fundo desta minha noite chuvosa. Mais especificamente o hard rock de Nazareth.
O celular toca ao receber uma mensagem de texto. Meu pai. Toca. A menina que estuda comigo. E de novo, mas agora é a menina que trabalha comigo. Mais uma vez, com uma mensagem da minha tia. Estou conversando com estas pessoas, mas cada vez que ouço a campainha sinalizar uma nova mensagem eu pego o celular pensando ser uma mensagem sua.
Há uma caneca com chá sobre a cama. O computador está ao lado dela. A música vem dele. Eu estou na pior posição que poderia querer agora. Ok, talvez não sejas tão ruim, mas certamente não é tão boa quanto estar deitado do seu lado, sentindo seu perfume. Ou tomando um café, ou um chá, ou sabe-se lá o que. Seria melhor se fosse com você.
O violão está ao meu lado, sobre a cama, esperando uma canção. Mas se eu quiser uma canção agora, se eu fizer uma canção agora, ela será sobre saudade. Ou sobre sorrisos, lábios, noite, perfume e qualquer outra coisa que me faça lembrar você.
Eu vejo uma foto sua no celular e instantaneamente é como se não houvesse saudade. É quase como se eu pudesse estar realmente olhando pra você, tamanha sua presença em meu mundo. Ao mudar de tela a saudade volta e tudo volta a ser o que era. Você está longe, com seus cabelos e todas suas cores, com suas unhas coloridas e seu esmalte pela metade. E quando vejo, sobre a cama, um fio de cabelo longo, pego-o, pensando ser seu. Mas na verdade eu sabia que era meu desde o começo.
Eu olho para o chão, ao lado da cama, e posso imaginar um par de sapato seu ali, esperando seus pés quase sempre frios, mas parte essencial de você. Olho para o travesseiro vazio e imagino você ali deitada. Quase posso vê-la. Mas você não está aqui. Na verdade, está longe. Muito longe. Mas o aroma do incenso que está queimando na sala neste momento me faz lembrar de você. Não sei por que, mas faz.
O tempo passa, a vida passa, às vezes muito rápido, às vezes não. Mas enquanto você não está aqui parece um verdadeiro jogo de vai e vem, do início ao fim, depois ao início novamente. E este vai e vem me deixa preso no tempo-espaço de tal forma que nem sei onde eu estou pra querer que você esteja comigo.
As paredes, o teto, a música, os aromas, tudo se perde e retorna, como uma mola. Vai. Vem. Vai. Vem. A única coisa que me acompanha é a saudade. E parece que é ela quem dá mais impulso e resistência para a mola que impulsiona meus pensamentos nesta noite chuvosa.
Jack Johnson me parece ser bom pra uma noite solitária e chuvosa. Mas está tocando Nazareth. Pego sua rasteirinha para ir até a cozinha pegar uma xícara de café. Não, não era café que eu queria. E não era sua rasteirinha, era minha pantufa. Será que eu posso compor uma música que não fale sobre nada do que eu estou pensando agora?
Se eu acender um incenso talvez me acalme. Enquanto toco uma canção que fala sobre uma garota qualquer eu termino meu trabalho. Na verdade, não. Na verdade eu estou vendo um cabelo pairando no ar, suspenso num momento que não é meu, num espaço que não é seu. Neste momento as coisas se desaceleram, o som para, o coração para, os dedos param. A história para. E a história era sobre uma crônica, mas não era exatamente uma crônica. Era apenas um movimento em falso, um delírio durante o pulsar de uma mola perdida no cosmos, um sentimento vago, contínuo, delgado, suave e lacerante. Dá pra sentir seu calor na pele, se você se concentrar. Enquanto o universo viaja rápido demais...
Eu.
Pareço.
Estar.
Parado.
Bem.
No.
Meio.
Desta.
Saudade.
Na verdade... Eu só queria escrever uma crônica..."

terça-feira, 18 de março de 2014

Viktoria

Dezoito horas, vinte minutos - a Lua desperta, alva
A pele branca desperta antes do Sol se por
O rubor da face inocente surge lento, com calma
A alma perdida anima o corpo com fulgor

As mãos pequenas e ágeis ajudam a pequena
A procurar, na escuridão do quarto, as vestes
Negro couro e metal bem polido
E o perfume suave, como buquê recém colhido

Os olhos, há pouco pálidos e sem vida
Agora mostram-se vivos e atentos
Não há calor, nem amor, nem alegria
Não há paz, piedade ou sentimentos

Há, porém, um brilho notável e sombrio
Que congelaria, de um homem, a alma
Que destrói coragem, força e calma
E desperta abandono, fragilidade e frio

A pequena, rápida e precisa nos movimentos
Traz a lâmina oculta e longos cabelos a voar
Viktoria rastreia suas vítimas com determinação
Enquanto corre silenciosa sob o luar

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Lírios, Lavanda e Jasmim*

Foi uma manhã como outra qualquer. Porém, o sol brilhou com uma luminosidade especial, parecia que as cores estavam mais bem definidas, eu enxergava melhor, quase podia sentir em mim aquelas cores vibrando, como em um sonho.
Vesti um shorts. um par de meias velhas e um tênis fácil de limpar, depois de perceber que parte do dia escorrera por entre meus dedos. Em poucos minutos alcanço a rodovia e, logo em seguida, a abertura na mata. O cheio de terra e folhas mortas era intenso. O barulho do vento na vegetação soava claro e melancólico. Os pneus se chocando contra a lama, contra as pedras, o aço da corrente batendo no alumínio do quadro... Pareço estar completamente integrado à paisagem - eu e minha bicicleta.
Borboletas, gafanhotos, aves e até um pequeno bando de quatis parecem parar no tempo para me ver descer a trilha em alta velocidade. Curvas, saltos, a velha ponte de madeira... Tudo fica para trás ap´pos correr diante de meus olhos. Não existe tempo ou espaço aqui. Como em um universo paralelo livre de leis físicas, me sinto livre.
Tão logo chegam os primeiros pingos de chuva as lembranças se esvaem. Os amigos, família, trabalho, estudos, até mesmo meu nome. Aos poucos tudo torna-se vazio. Somente a natureza existe; eu, não mais. A velocidade torna-se quase insuportável. Já não distinguo a paisagem. A bicicleta move-se sozinha, seguindo a rota costumeira.
Quando sinto a parada brusca percebo que não há mais bicicleta - estou completamente integrado à natureza. Inspiro profundamente, olho ao redor. Penso em erguer as mãos e olhá-las, mas não tenho mãos. Expiro. Nada além de mata, pedras, folhas, flores, pingos de chuva, ar, brisa, o canto do sabiá no alto de uma imbuia em flor.
O calor daquele dia de verão se extinguira. Também não havia frio. Só havia chuva. Inspiro. A percepção diminui, perco a consciência vagarosamente, fecho os olhos até que eu não exista para poder expirar.
Abro os olhos e vejo diante de mim um espelho, mas nada havia refletido nele senão água, peixes, plantas e pedras de rio. Realmente, eu estava dentro do rio. O som da pequena queda d'água se fez real para meus ouvidos ausentes e a pressão da água surge sobre minha pele. Aos poucos a consciência volta, tão lentamente quanto se foi.
Recordo quem sou, as bandas favoritas, os quadros que ficaram gravados na memória, os discos que fizeram parte de tantos momentos...
Percebo minhas mãos, braços, pernas. Tenho vontade de expirar. As bolhas de ar saem de meus pulmões e espalham-se, no espelho, chegando à superfície. As lembranças se colorem, o vermelho e o preto ganham destaque, abre-se um sorriso. O ar acaba, volto para a superfície e logo os pingos de chuva, o verde, o cheiro de terra, das folhas mortas e do musgo voltam a existir. Sinto a brisa tocar minha pele, inspiro novamente. Encho os pulmões e sinto a vida fluir, naquele momento, em tudo ao meu redor.
Já não estou dentro d'água. A pequena cachoeira não pode mais distorcer a imagem refletida pelo espelho, que também se faz vida. Os longos cabelos molhados pendem sobre a pele alva. Os olhos amendoados voltam-se para mim. A imagem do espelho ganha vida, forma e movimento. Aproxima-se lenta, o sorriso ainda mais iluminado. Claramente traz consigo o perfume de flores do campo. Antes que eu pudesse tomar qualquer atitude ergue os braços e estende-os à minha volta. Não vejo o movimento dos lábios, mas a voz doce e melódica ecoa em minha mente, me chamando para partir. Vejo-me agora envolto por aquela criatura, tão eu, tão única, saída da natureza num quadro surreal, inimaginável, sinto meu corpo leve, suspenso no ar, enquanto nos movíamos para longe dali. As lembranças, os gostos, os gestos, tudo se recria exatamente como sempre foi, como num sonho, como em outro universo, como numa outra vida.


*Escrito ao som da chuva, um violino distante e Coil, da banda Opeth.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Sobre as Musas Inspiradoras

Voltar a escrever exige inspiração. E inspiração assim, depois de tanto tempo, exige algum esforço. Para se obter êxito necessário se faz concentração, talvez em demasia, talvez não. Mas em meio a este vasto Universo existem seres especiais que servem para inspirar e dar vida a alguns pensamentos, pobres folhas recém nascidas das mentes criadoras de poetas, compositores, escritores, cientistas, ou apenas daquele homem que analisa o céu durante um tempo e, ao unir estrelas com linhas e agulha imaginárias, traça rotas para seus pensamentos se concretizarem dentro de si mesmo e, assim, dar sentido a sua vida, seja lá qual for (o sentido, ou a vida).

Estes seres - falemos deles - são como ... Não, não podem ser estrelas. Porque estrelas surgem no céu numa noite e permanecem lá, iluminando por anos-luz a vida dos observadores e, mesmo durante o dia, sabemos de sua presença, magnitude e poder. Sabemos também do seu poder de destruição, visto que são uma chama poderosa, incontrolável, que arde até que se acabe seu combustível. Estes seres não podem ser assim.



Também não podem ser estrelas cadentes, porque apesar de toda sua beleza, características únicas e encantamento, se vão tão rápidos quanto chegam. E também não podem ser flores, cujo perfume, por vezes inebriante, sofrem com as secas ou chuvas excessivas, acabam-se após alguns dias de magistral beleza, e só aparecem quando há condições ideais para isso.

Estes seres, porém, são como árvores. Mas não uma árvore qualquer. São grandiosos e imponentes como uma sequóia, fortes e resistentes às más condições climáticas, como as palmeiras. Existem durante gerações e mais gerações, como as Cicas, dão flores belas, coloridas, de formatos variados e e de aromas inigualáveis, sempre que desejarem, assim como as orquídeas, mas muito mais duradouras e belas.

Porém, além de todas estas características, estes seres - ou criaturas, como acharem melhor - dão algo ainda mais importante: o fruto. Um fruto que não é doce, mas agrada a todos os paladares. Um fruto que não tem suco, mas mata a sede de carinho, amizade, amor, companheirismo. Um fruto que não mata a fome, que não tem proteínas, carboidratos, lipídios, vitaminas e minerais, mas que tem sorrisos, secam lágrimas, apoiam, criticam quando oportuno, que embelezam tardes de inverno e fazem as manhãs serem mais agradáveis, por alimentar a alma.

Estes seres, tão grandiosos, ainda possuem o colo generoso de um Baobá, que recebe nos braços as nossas crianças interiores em momentos de aprendizado, de dor ou de folia, e nos sustentam calorosos, protegendo-nos contra os monstros do mundo.

Deus colocou em meus dias seres assim, e ainda surgem alguns, por vezes, me surpreendendo. Assim, risco estas linhas com gratidão, generosidade e amor, pois é graças a estes seres - estas musas, que não necessariamente são mulheres, apesar do termo genericamente feminino - que consegui tantas conquistas, tantos bons resultados, e toda a inspiração necessária para produzir meus textos, minhas brincadeiras, minhas teimosias e, até mesmo, meus maiores amores, cultivados e sustentados por toda vida.

Recebam esta singela homenagem como símbolo da nossa união. Que nossas vidas permaneçam unidas, independente da distância que exista entre nós. Deus os abençoe, meus amores.


P.S.: Que sirva, principalmente, como felicitações para a amiga Erilva, que hoje faz alguns tantos anos (muitos mais do que se possa imaginar), e que por todos estes anos tornou meus dias mais alegres, como um bônus diário de felicidade. Surgiu como um brotinho, em meio à vastidão da terra, e rapidamente cresceu e mostrou-se grande diante de mim. São 8 anos de amizade, 8 anos de aventuras imaginárias e apoio constantes. Histórias que se perdem no tempo, mas nunca serão apagadas das lembranças. Felicidades, engenheira =)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O Retorno no Fim do Dia


Adeus, Meus Sonhos!


Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia

Morreu na minha triste mocidade!


Misérrimo! Votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto,
E minh'alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.



Que me resta, meu Deus?


Morra comigo
A estrela de meus cândidos amores,
Já não vejo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!


(Álvares de Azevedo)


Há muito este poema está aqui, morto, abandonado ao tempo, enquanto espaço algum há de percorrer, pela sua insignificância preconceituada em uma visão superficial e imediatista de meus dias. Forçosa e cegamente o abandonei. Até quando ficaria aqui? Se uma alma vagante do mundo não me tivesse alertado sobre seu paradeiro, ainda estaria preso em um corredor infinito, onde cada esquina joga-lo-ia ao seu início, desperdiçando as nobres e apaixonadas palavras de um dos grandes senhores das sombras, aonde o mundo se dirige em momentos de melancolia, aflição e tristeza. Porém, não mais nas sombras estas palavras e, assim como o mar, em letras  esparramadas de Paulo Leminski, sobre a pedra à beira mar, vão espalhar-se mundo a fora, desde o litoral, passando pelas ruelas de Morretes, subindo a Mateus Leme até o Largo da Odem, a ser visto pelo Sr. Trevisan, saindo pela 277 e percorrendo este tão belo estado, levado pelo vento gélido que hoje sopra até o alto das colinas, tocando de leve o meu ser, que deixa um suspiro breve de saudade e lembrança.

Boa noite, amigos meus. Boa noite.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A Menina

No dia 31 de Agosto este texto deveria ter sido publicado. Porém, um possível erro no sistema de "Salvar/Publicar Automáticamente" fez com que o texto não fosse para a página. Com atraso, portanto, mas não com menos entusiasmo e alegria por mais esta publicação, criação e literalmente um presente, pra alguém que considero uma amiga, publico hoje, três dias após o prometido:

A menina tinha um ar diferente. Parecia menina, mas não era tão menina assim. Às vezes ela parecia tão menina que eu a olhava e pensava: "Mas é mesmo uma menina". Às vezes não. As vezes eu não pensava coisa alguma, apenas a deixava caminhar livre, pela calçada, até chegar no gramado e colher aquela florzinha amarela que cresce na grama.
- Olha! - ela dizia. - Um dente de leão. Tão bonito, tão simples, tão forte...
Eu a observava. Apenas observava. Um dia a menina ficou brava e me mandou embora. O que poderia eu fazer? Dei uns quinze passos para longe, parei atrás de uma árvore e fiquei ali, olhando. Teve uma hora que ela me viu. Dei bobeira, sabe como é. Ela me viu e gritou: "Vá embora, eu disse!". Eu havia feito algo que a deixara irritada. Mas nada mais poderia fazer para mudar aquilo. Subi numa outra árvore, não muito distante, e fiquei a observá-la por entre as folhas verdinhas, dia e noite. Mesmo em silêncio, ela sabia que eu estava lá e, às vezes, dava uma olhadela, de canto de olho, só pra ver o que eu estava fazendo.
A menina ficava lá, no seu universo particular. As vezes viajava, conhecia outros portos, encontrava portos velhos, fazia muito, ou fazia muito pouco, como ela quisesse. As vezes apenas dormia. As vezes acordava e me mandava acordar também. E eu acordava. Eu a observava por mais um dia e lá estava ela. Os cabelos marrom-claros amarelos azuis vermelhos marrom-claros voavam com o vento. O rosto cor de pele clarinha corava, ou ficava branco, ou ficava coberto pelo capuz da blusa preta. As unhas pretas brancas azuis roxas arranhavam a terra, pra pegar uma flor ou outra, ou arranhavam a pele, ou arranhavam o céu enquanto ela pegava estrelas perdidas.
Um dia eu estava dormindo e ela me derrubou do galho onde eu estava. Veio rindo, contente, conversou comigo naturalmente e até chorou, em dado momento. Mas ofereci meu ombro amigo e ela logo ficou bem.
E assim a menina foi, e assim a menina ia. Dia e noite, colhendo estrelas flores portos universos pessoas. Esta era a menina dos olhos brilhantes azuis verdes. Magrinha, pequena, mas com um abraço do tamanho do abraço de um lutador de MMA. Que as vezes era confusa, mas sabia sorrir e deixar tudo mais bonito.
A menininha que um dia foi menininha, e que agora não é mais. A menininha que, mesmo não sendo mais uma menininha, será pra sempre a menininha: magrinha, com abraço forte e um coração enorme.

Parabéns, May =)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O Beijo da Noite


Ela estava ali. Eu cheguei, olhei para a cama e lá estava ela. Lasciva, me desejando. Não falou nada, não me olhou. Quase não se mexeu. Eu, sinceramente, não senti vontade, naquele momento, de me unir a ela. Tinha coisas a fazer e comecei a correr pela casa. Peguei algumas peças de roupa e coloquei na mala. Separei um tênis e coloquei na mala. Escovei meus dentes, apaguei as luzes e fui para o quarto. Ela ainda estava ali. Não me olhou. Quase não se mexeu. Eu disse

- Noite, ainda preciso ler e aguardar o horário certo para dormir. Tenho que responder a algumas mensagens e, só então, unir-me a você.

Ela não me olhou. Apenas disse:

- Por que, então, não aproveitar o tempo e ouvir um iDoser?

Como que hipnotizado, atendi prontamente. "Por que não?", pensei. Seriam apenas 40 minutos, eu poderia experimentar algumas sensações diferentes e, ao final, acordaria, responderia as mensagens que tivesse recebido e poderia dormir em paz, após alguma leitura e uma ligação importantíssima. Coloquei os fones de ouvido, fechei os olhos. 40 minutos apenas...

***

Desperto. "Acabou", pensei. Olhei no celular, várias mensagens piscavam na tela sobrecarregada. O relógio marcava 1h. Três horas haviam se passado. Ela estava ali, deitada do meu lado, satisfeita.

- Noite, o que fez?? - perguntei, assustado.

- Apenas aproveitei seu momento de meditação e usei seu sono. Estava com muita vontade. Desculpe.

Seu sorriso sarcástico me faz sentir ainda mais arrepios. Respondo as mensagens, espero... Nada. Tudo bem, o que mais fazer, se não voltar a dormir?
Mas não é o que ela quer. Enquanto meu cérebro vai diminuindo sua frequência, posso senti-la unindo-se a ele, abraçando-o, até que minha visão se escureceu completamente, e até meus pensamentos mais obscuros desapareceram. Sonhei. Muitos sonhos, muitas pessoas, sensações, música... Foi tudo estranho. Acordei com calor, acordei assustado, acordei com o despertador e, somente neste último momento, pude desvencilhar-me daquele manto negro que me prendia nas terras de Morpheus.

- Acabou. Estou partindo. - disse, decidido.

Nenhuma resposta. Quando olho para o lado, a cama vazia, mais fria que de costume, pela presença daquela que se assenhorou de minha mente nas últimas oito horas. Nada, nem um beijo de despedida. Nada. Levanto-me, tomo um copo de suco e saio. Pelo menos eu estava livre, eu podia pensar e trabalhar e agir livre. Sem mais aprisionamentos do meu pensamento.
Ao sentar diante do computador, vejo um convite, feito por um amigo, para participar de um grupo literário. A ideia me agrada. A visão fica turva. A mente parece paralisada. Logo percebo o que está acontecendo. Não ouço, mas sinto ecoar no íntimo de meus pensamentos:

- Olá.

A única imagem que vejo é um sorriso. Parece-me, inclusive, o sorriso daquele gato, do País das Maravilhas. Ele se abre e sinto como se pudesse observar minha decadência enquanto meus dedos ligeiros percorrem o negro teclado, traçando novas linhas, novas palavras, descrevendo a noite e criando esta nova crônica.

terça-feira, 4 de junho de 2013

As Brumas e Você II

Há várias manhãs naturalmente gélidas nesta distante cidade. A paisagem esbranquiçada faz lembrar aquele texto, escrito há algum tempo, sobre as brumas e você. Obviamente, a imaginação flui por todas as ruas, todas as esquinas, todas as casas, árvores e o que mais passa por mim enquanto transito pela cidade: você está aqui, comigo, em todos os momentos. A vontade de abraçá-la, de sentir a presença do seu corpo é sempre grande. A vontade de sentir seu perfume, seu beijo... Mas não sua presença. Mesmo distante, SEI que você está comigo o tempo todo. E isso é simplesmente encantador. Sinto-a comigo sempre, a cada dia de modo mais intenso. Isso faz-me abrir um sorriso grandioso.
Quis revirar meus históricos de mensagens, de Skype, Facebook, e qualquer outra coisa que tivesse aqui comigo, só para poder montar uma compilação e publicar tudo aqui, tudo junto, para que pudesse fazer a minha grande declaração, para que pudesse, de alguma forma, demonstrar meu amor por você. Mas, mais uma vez, percebo a tolice desse pensamento.
De que adiantaria fazer um compilado, um único texto, fazer um único momento se tornar tão grandioso? O resultado seria um: uma grande demonstração de amor. E depois? O que aconteceria? Nada. Teria de recomeçar tudo, novamente. Porém, com uma certeza: eu teria de fazer algo ainda mais grandioso, um monumento, talvez, para superar minha maior declaração, feita aqui, a maior declaração já feita por alguém. E, por razões óbvias, eu não poderia fazer isso. Eu não tenho condições de levantar um monumento. Eu sou pequeno, sou bobo, sou apenas um garoto e um garoto não pode ser um grande personagem.
É engraçado pensar como nós, seres humanos, somos limitados. Há tanto por fazer e nós criamos tantos outros compromissos que o tempo parece escasso. O tempo, na verdade, sempre foi o mesmo, mas a cada dia parece passar mais e mais rápido, enquanto nós ficamos aqui, sem saber se criamos um grande texto ou um texto grande.
E, perdido em minhas escolhas de todo dia, enquanto estou longe de você, sinto-me feliz, porque há duas grandes certezas em meus dias: com ou sem as brumas, os nossos sentimentos mudam apenas para melhor, ficam mais fortes e mais intensos, mais belos e mais pontuais; e, perdido no tempo, vejo-o passar sempre ligeiro, apressado, me deixando para trás com o pó, como o pouco que sou, arrastando-me consigo, até que eu consiga chegar mais perto de você, como seu menino, como seu pouco. Com estas pequenas declarações e com estes pequenos gestos, na forma de um pequeno presente. Porque todos esses gestos bobos são pequenas frações do todo que é meu mundo em você ♥

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Lutas Diárias

Outro dia estava no carro, semiconsciente, enquanto tentava me embalar no sono que vagava à beira da estrada. Estava, mais uma vez, saindo de Laranjeiras do Sul rumo à Campo Mourão. Estava há poucos minutos trafegando na BR-277, o rádio estava sintonizado numa emissora que, com frequência, estava entre a lista das favoritas do motorista. Para meu profundo desgosto, uma daquelas típicas emissoras de rádio do interior do Paraná onde só se ouve música sertaneja universitária (diga-se de passagem "música de péssima qualidade") e as baboseiras de um grupo de apresentadores que, em vez de DJs, tornaram-se palhaços. Muito raramente há a possibilidade de ouvir uma música que possa ser considerada interessante ou, ao menos, agradável. Mas este era um dia diferente. Uma tarde diferente. E nesta tarde diferente um pedido via sms fez a diferença entre os demais daquela emissora, daquela tarde, daquele dia. O pedido veio de uma garota e uma voz rara entre as rádios do interior do estado se fez ouvir. Uma voz que, diria, não está entre as minhas favoritas, mas que certamente foi mais agradável que o resto (sim, o resto, como se fosse lixo atirado diariamente em nossos dias) e que me fez pensar em várias coisas.

Rogério Flausino, vocalista do JQuest, cantou e uma única frase ficou muito marcada em meu pensamento. E foi esta frase que me fez procurar esta canção - e vejam, que grande achado - pois gostaria de pensar novamente sobre aquelas coisas e compartilhar com os amigos visitantes este sentimento.

E em que eu pensei? Pensei nos amigos e pensei nela. Sim. Como sempre, não poderia deixar de pensar na inspiração que faz meus olhos brilharem, meu sorriso se abrir e meu coração bater mais forte, a saudade mais constante e estes dias mais obscuros, ainda que não menos felizes e esperançosos. E enquanto isso, fico aqui, a cantarolar esta bela nova canção, com o pensamento vagando pela estrada.

Luta de Viver (Jota Quest)

Acordei mais cedo do meu sono delirante

Amanheceu em mim, fui ser feliz outra vez.
Olhei meus olhos no espelho, o reflexo era você
Me encheu o dia de saudade. A culpa é sua.

E a gente pensa tanta coisa nessa hora
E pensa tanto que se esquece de viver.
A gente passa tanta coisa nessa vida
Que a vida passa e a gente quase nem se vê.

Não foi a toa que hoje o dia nasceu lindo
Não é por nada, não
Que o sol esta sorrindo.
Somos exemplos vivos desta eterna luta de viver.

Acordei mais cedo do meu sono ignorante
Amanheceu em mim, fui ser feliz outra vez.
Olhei meus olhos, no espelho, o reflexo era você
Me encheu o dia de saudade. A culpa é sua.

E a gente pensa tanta coisa nessa hora
E pensa tanto que se esquece de viver.
A gente passa tanta coisa nessa vida
Que a vida passa e a gente quase nem se vê.

Não foi a toa que hoje o dia nasceu lindo
Não é por nada, não
Que o sol esta sorrindo.
Somos exemplos vivos desta eterna luta de viver.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Coisinhas à Toa, Ela e Meus Dias Simples


Um dos textos mais simples e mais belos que já vi. Li, pela primeira vez, intitulado como "Coisinhas à Toa", quando ainda criança. Nunca me esqueci destas palavras. E, num momento simples e belo de minha vida, ofereço estas coisinhas à toa pra Ela:

Passarinho na janela
Pijama de flanela
Brigadeiro na panela

Gato andando no telhado
Cheirinho de mato molhado
Disco antigo sem chiado.

Pão quentinho de manhã
Drops de hortelã
O grito do Tarzan.

Tirar a sorte no osso
Jogar pedrinha no poço
Um cachecol no pescoço.

Papagaio que conversa
Pisar em tapete persa
Eu te amo e vice-versa.

Vaga-lume aceso na mão
Dias quentes de verão
Descer pelo corrimão.

Almoço de domingo
Revoada de flamingo
Herói que fuma cachimbo.

Anãozinho de jardim
Lacinho de cetim
Terminar um livro assim.

Otávio Roth. Duas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz. São Paulo: Ática, 1994.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Insônia


Olá, queridos. O que posso dizer da última noite? Foi estranhamente interessante. Não foi boa, de fato, mas convenhamos que foi produtiva e que, hoje, acordei estranhamente inspirado para produção literária. Acho que é um bom dia pra fazer um daqueles testes da Universidade de Cambridge sobre Psicologia.
Quanto à produtividade, segue aí meu mais novo poema, feito enquanto rolava na cama, sem conseguir dormir.

INSÔNIA

Cá estou eu, fora de hora, fazendo o que não devia
Ou, ao menos, não fazendo o que devia.
Mas, de certo, como saber se podia ou não traçar estas linhas?
Acontece que já tarda a noite, e logo chegará o dia.

Insônia, sua insolente! Por que me abres os olhos nesta noite
De flashes ininterruptos, de vento constante?
Ouve só o barulho. Que será? Uma besta uivante?
Gemidos, rangidos, grunhidos, talvez. O vento lá fora se mostra

A casa, para mim, é nova. A cidade também.
Como poderia eu conhecer os sons que a madrugada tem?
O vizinho mequetrefe deve ter esquecido
Mas a TV ilumina a sala e o som incomoda meu ouvido

Sirenes, gritos, em um tipo de aventura policial
Resultarão, bem sei, em meu desgosto matinal
E o cão, que de longe brada, coitado
A tantos incomoda, tenho certeza, mas em que parada
Se encontra o nobre amigo? Não na estrada, nem perto de minha janela
Não incomodaria se persistisse latindo, ou mesmo se tivesse uivado

O vento segue em sua prosa, me lembrando tempo antigo
Memórias de infância, de locais, e da vontade de ter dormido
Aqui perto, bem perto, me parece, alguém arrasta algum objeto
Ou fecha uma janela ou puxa ferro sobre o concreto

Mas por que, justo hoje, haveria de ser assim?
Em meio à madrugada já tentei tantas coisas, mas acabo, enfim
Deitado, a cabeça reclinada sobre o travesseiro e o computador no colo
Amanhecerei certamente com alguma dor. Então, imploro
Cala-te, noite, para que eu descanse, pois logo chegará o dia
E terei de caminhar, ler, correr, será uma correria sem fim

Assim, eu sei, terei problemas, então peço
Por favor, noite amiga, permita-me descansar
Amanhã, no novo dia, preciso muito trabalhar
Colabore, e leve-me, Orfeu, ao teu Sonhar
E encerro meu dia pois, agora nesta linha, deste mundo me despeço.

É isso aí. Apesar da noite "mal dormida" acordei bem, feliz e inspirado. E, agora, vamos para algumas atividades aleatórias do dia. Até breve para, quem sabe, mais um texto neste belo dia fresco de céu azul.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

E Daí?


Eu me pergunto - e daí?
O tempo passa, os dias vêm e vão. “Vão os anéis e ficam os dedos”, “vão os dedos e ficam os anéis”. “Eu não sou um bom lugar”. “Ouça o que eu digo: não ouça ninguém”. Sinceramente? Não sei. Não sei o que está certo, não sei o que está errado. Sei aquilo que vejo, que é ponderável. Sei aquilo que se mostra verdadeiro, e não intocável. Meias palavras, subversão, duplo sentido, nada disso basta quando tudo o que se quer é um pouco de quase-nada. Depois de um café Solitário-Simples-Sem-Açúcar fico aqui pensando em quanto falta pra esse quase-nada. Aliás, o que é esse quase-nada? Talvez seja um quase-nada tão grande que eu nem consiga imaginar. Talvez seja tão simples que eu já consegui. Talvez seja tão complexo que eu nunca chegue a conquistar. Ou, talvez, seja tanta coisa que, de uma só vez, seja impossível conseguir mas, com persistência, dedicação e devoção, eu chegue aonde quero muito mais rápido - e em melhores condições - do que eu imagino que possa. Talvez uma xícara de café ajude a manter a calma até que chegue o dia, que não demorará, eu sei. Eu sei. Enquanto ele não chega, aproveito a rara qualidade no sinal de celular pra te ligar 30x por dia, só pra dizer que estava com saudade.

As Brumas e Você

7h28. Hoje está frio. Puxo o edredom para cobri-la melhor, dou-lhe um beijo suave, cuidando para que não desperte. Me arrumo em silêncio, giro a chave na porta cuidadosamente. Não percebo as brumas que dominam o ambiente. Quando me viro, logo após trancar a porta, ainda cego pelo sono, julgo que meus óculos estão sujos. Retiro a armação de lentes negras e tento limpá-las. Caminho de cabeça baixa, com os olhos semicerrados, até o portão e, quando me dou conta, não consigo enxergar a outra margem da rua. A névoa dominou todos os espaços.
Ah, como eu amo esta paisagem! Não. Amo as brumas. A paisagem é praticamente imperceptível, já que está quase totalmente encoberta. Como numa cidade fantasma, sinto meu corpo arrepiar pelo frescor matinal, mas também pela emoção de estar em um momento tão... indescritível. Não consigo dizer por que me sinto tão encantado pela neblina. Mas, bem sabes, meu amor, ela me fascina.
Olho de volta para a casa, penso em acordá-la para que possa desfrutar deste momento junto a mim. Um momento especial, relativamente difícil de se ver. Mas não posso. Não posso pensar em interromper seu sono, seu momento de repouso. Unir a pessoa a quem mais amo a um momento de harmoniosa admiração da natureza seria perfeito, mas, não posso. Não posso pensar em fazer algo que tire de você este momento prazeroso, assim como qualquer outro.
Sigo meu caminho. Deixo-a para trás. Levo comigo as gotículas de água suspensas no ar denso da manhã enevoada. caminho pelas ruas, sinto tocar minha pele as gélidas e pequeninas frações liquidas, como um perfume que se espalha, como o pólen minúsculo carregado pelo vento, como o aroma do café que você prepara, como o cheiro do seu corpo que domina o quarto com sua presença.
Deixo-a. Pode parecer egoísta, caminhar sozinho pela cidade em um momento em que ela oculta suas linhas, seus corpos, e se enche de mistérios, mas não. Fiz isso pensando em seu bem-estar. Fiz isso porque dentro de mim, no mais íntimo de meus pensamentos, encontro a certeza de que este não será o último momento. Não será a última oportunidade. Fiz isso porque dentro de mim tenho a certeza de que podemos construir um caminho que nos leve a muitos outros lugares, a muitas novas oportunidades, e que inclusive nos leve para um lugar onde as brumas estarão à mercê de nossas vidas, para que juntos possamos desfrutar desta beleza natural em um momento mais propício, você e eu, num dia qualquer, vivendo nosso amor.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Quando a Vontade Chega

Quando a vontade chega não há muito que fazer.
Quando você sente vontade de fazer algo, a primeira coisa é ESCOLHER. Você gosta disso que tem vontade? Esta coisa vai prejudicar você? Vai prejudicar outras pessoas que estão envolvidas? Qual será a consequência? Há uma vantagem de aceites sobre rejeições?
Se as respostas forem favoráveis, vem o segundo passo. PLANEJAR. Como você vai fazer isso? Quando? Quanto vai custar? De quanto tempo precisará? Por onde, para onde vai e onde vai procurar abrigo? Quem estará com você? Como tornar o fato agradável além daquilo que se espera?
Obviamente, o próximo passo é INICIAR o projeto. Comece pela parte mais simples, mas que é considerada essencial para que nada dê errado. Faça aquilo que é necessário logo de cara, para depois ficar apenas com tarefas secundárias. Em caso de falha, ou você não conseguirá executar o projeto, ou você não terá problemas, porque serão erros pequenos demais pra atrapalhar no andamento das coisas.
Depois disso, deve CONTINUAR até o fim. O que você começou deve ser sustentado até o fim. Nunca desista, esqueça ou abandone algo que você goste ou queira muito.
Ao TERMINAR o projeto, faça-o com cuidado, para que o fim não seja um momento de choque, pelos desligamentos ou final das atividades, ou mesmo a separação de pessoas, locais ou objetos. Você deve se preparar para o final. Todos devem se preparar. E então, quando chegar a hora, acontecerá naturalmente.
Depois de voltar pra casa, volte sua vida aos eixos. Nunca mude (exceto se for para melhor, isso é óbvio). Retome suas rotinas, busque suas inovações e, principalmente, CRIE NOVOS PROJETOS. Isso é muito importante.

Mas, se algo, durante este período, acontecer de forma a prejudicar a execução do seu projeto, interrompa o processo. Se você souber que algo vai tentar impedir que se construam seus planos, mesmo que não haja problemas com eles, então abandone projetos, pesquisas e o que mais estiver fazendo.

Pegue suas coisas, caia na estrada, viva sua vida sem planejar. As vezes queremos viver de forma comedida, calculada. e deixamos de viver. Algumas loucuras são permitidas e, sem dúvidas, as melhores experiências serão listadas entre elas.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Despertar


Não vou dizer que estamos “voltando a ativa” nem que estamos tentando reestabilizar a frequência de postagens, mas pode ser que a inspiração esteja voltando e, agora, possamos ter mais notícias neste ninho de rato que foi abandonado há um bom tempo atrás.


Navegando pelos mares do sul, viajando por terras frias, também por terras quentes, encontrei meu calor, pude viver em paz e ter ótimas conquistas pessoas. Entretanto, esta maré de vantagens parece não ter sido suficiente para me ajudar a ser alguém melhor, a mudar meus hábitos e dirimir chances de erros e viciações. Aprendi, porém, nesta última semana, que tentar amenizar os possíveis danos de uma situação não é uma boa opção quando se trata de confiança, sentimentos, respeito e coisas afins. E pior que fazer alguém se sentir traído é fazer isso de forma a fazer com que a traição se volte contra si mesmo. Até semana passada eu considerava a traição de amigo como sendo a pior de todas. Mas quando se descobre que a vítima de uma grandiosa mentira foi você mesmo, quando se descobre que tudo o que se fez foi contra sua própria vontade, quando você descobre que se iludiu, que escondeu de si mesmo algo grande, belo e bom, então não há o que dizer. Apenas o que sentir. E este sentir, acreditem, é como um grito constante dentro de sua cabeça. Incessante, incansável, inalterável. O pior grito de desespero ecoando em sua mente, forçando as lágrimas a correr por sua face.
Porém, os erros também têm seu lado positivo. E no meu caso, serviram pra me mostrar o caminho da verdade, pra abrir meu baú e mostrar aquilo que eu estava mantendo escondido, que eu desprezei e ignorei durante estes meses todos, que poderiam ter sido não apenas belos, como realmente foram, mas os melhores de todos, se eu não tivesse feito as coisas horríveis que fiz.
Agora é o momento da renovação. A nova era. Uma nova chance.
 
“Sempre há uma nova chance...”  ♫

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Meu Ano Novo

Acho que hoje vocês terão uma grande surpresa.

Eu bem poderia escrever inúmeras coisas aqui e minha vontade era, na verdade, postar uma crônica que escrevi há uns meses, tratando sobre meus mais de 600 anos, citando fatos históricos que aconteceram e que vivenciei durante minha vida. Mas, por que, no fim das contas, falar sobre isso?

Hoje é um dia. É um período de 24 horas. Uma volta completa do planeta em torno do próprio eixo. Aliás, o Sol hoje está sorrindo bastante pra mim. Fiquei uns 30 minutos andando na rua e já me senti mal. Tudo bem, sei que a intenção é boa, da parte dele. Heheheh.

O que eu quero dizer hoje é apenas "Feliz Aniversário" pra mim mesmo, só em agradecimento a todas as conquistas que tive nesses últimos 12 meses. Para mim, um ano é apenas um período de tempo e tudo aquilo que estava planejado para os últimos 12 meses que eu ainda não consegui fazer terá continuidade pelos próximos 12 meses ou mais, conforme necessário.

Agradeço a todos que me fizeram e fazer ver coisas diferentes, vislumbrar novos horizontes, buscar novos ares e boas oportunidades. Durante todos esses 15 anos que passei por aqui eu jamais fiquei à mercê da vida, sempre tive alguém que me orientasse e auxiliasse nos momentos difíceis, mesmo que involuntariamente ou distante demais para que isso fosse "possível" (na mente dos que têm limites).

E por enquanto é isso. Assim que tiver mais novidades posto aqui.

Vida longa a mim e àqueles que fazem por merecer. Lutemos sempre, pelo bem, pela justiça, pela Liberdade, pela Igualdade e pela Fraternidade.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

É Tempo de Mudanças

Olá, amigos. O texto que segue foi retirado da revista Planeta (Ed. Três, ano 38, edição 459, dez/2010) e fala exatamente sobre mudanças, o que há pouco tempo tem sido algo cruscial para mim.

A saída da Unimake, empresa que durante quatro anos e meio me ajudou tanto, foi, sem dúvidas, bastante complicada. Apesar do processo ter sido repentino e extremamente rápido, as 72h que decorreram durante este período foram de milhares de pensamentos e avaliações intensas em minha mente. Agora, porém, posso entender o que foi que aconteceu e por isso estou repassando este texto, de autoria de Luís Pellegrini. Confiram!

A Carapaça da Lagosta

A lagosta vive tranqüilamente no fundo do mar, protegida pela sua carapaça dura e resitente. Mas, dentro da carapaça, a lagosta conitnua a crescer. Ao final de um ano, sua casa fica pequena e ela tem de enfrentar um grande dilema: ou permanece dentro da carapaça e morre sufocada ou arrisca sair de lá, abandonando-a, até que seu organismo crie uma nova carapaça de proteção, de tamanho maior, que lhe servirá de couraça por mais um ano.
Vagando no mar, sem a carapaça, a lagosta fica vulnerável aos muitos predadores que se alimentam dela. Mesmo assim, ela sempre prefere sair. Dentro da carapaça, que se transformou em prisão, ela não tem nenhuma chance. Fora, sim.
Também nós, muitas vezes, ao longo da vida, ficamos prisioneiros de várias carapaças: os hábitos repetitivos, os condicionamentos alienantes, as situações às quais nos acomodamos. Uma grande quantidade de situações que, exauridas e desgastadas, nada mais têm para nos oferecer. E acabamos, por falta de coragem de mudar, nos acostumando ao tédio de uma vida monótona que, fatalmente, como a velha carapaça da lagosta, acabará por nos sufocar.
Façamos como a lagosta: troquemos a velha e apertada carapaça por uma carapaça mais nova. Mesmo sabendo que, por algum tempo, estaremos desprotegidos ao enfrentar uma nova situação. Largar o velho e abraçar o novo é, muitas vezes, a única possibilidade de sobreviver por mais um ano. Até que cresçamos ainda mais e, novamente, tenhamos de mudar de carapaça.


Assim, só tenho a agradecer à família Unimake, que me recebeu de braços abertos e me deu tantas oportunidades, inclusive a de "trocar de carapaça" quando me foi necessário.

Um grande beijo a todos e até a próxima! =]

domingo, 23 de janeiro de 2011

O Mal É Contagioso

Pra quem não entendeu o último post, de novembro passado, devo minhas sinceras desculpas se pareci depressivo ou odioso. Não se enganem. Eu não sou alvo da depressão, meus queridos leitores.


Vou dizer o que aconteceu naqueles dias. Meus pais estavam saindo de viagem, eu tive um pesadelo terrível, mas uma daquelas batalhas épicas contra algum criminoso que tentava me alcançar, vários amigos estavam trabalhando nas operações do RJ. Eu sei que aquilo não é como controlar uma rebelião num presídio, nem conter um bando de torcedores fanáticos que estão fazendo arruaça. Muito menos estar em uma guerra militar. Aquilo é uma guerra civil e numa guerra civil não há como prever os movimentos do inimigo. E sim, eu estava MUITO preocupado. Sem falar, ainda, em outras coisas totalmente sem sentido que eu estava carregando em minha vida naqueles dias. Alguns dias depois daquele post, decidi mudar, olhar para novos horizontes. Não apenas queria explodir as grades, mas sim, o fiz e ainda voei. Voei alto e agora estou no alto da montanha, inspirado pelo estimado AgaGê, poeta da razão. Mas no fim das contas, aquele sentimento ainda permanece.
E pra quem quiser entender no que eu estava pensando, segue a letra de O Mal É Contagioso, de Daddo Villa-Lobos, escrito para a trilha sonora do filme Bufo & Spallanzani (2001), que, inclusive, indico aos amigos. Romance policial, nacional, de qualidade. E vejam vocês que eu nem gosto tanto de filme nacional heim... =D
Preparem-se para uma viagem. pra quem quiser, a música está disponível para ouvir em www.radio.uol.com.br. Procurem na letra D, página 2, Daddo Villa-Lobos. E divirtam-se!








Não adianta, eu sou viciado em perceber a oculta celebração rascante do instinto mórbido extravagante.
Eu sou detetive, e todo detetive olha prás pessoas, olha em volta e pergunta:
- Mefistófeles você está aí?
Olha para uma pessoa e pergunta:
- Até aonde você é capaz de ir?

Não adianta, cada minuto de civilização na minha mente pede uma hora de barbárie. Pede na mente de qualquer pessoa, e eu pergunto:
- E aí rapaz, o teu pensamento criminal é calculado ou passional? Fala pra mim, pacato. Fala pra mim, mulher responsável. Fala pra mim, singelo. Fala pra mim, homem de bem. Teu pensamento criminal é calculado ou passional?

- Mefistófeles você está aí?
Eu sou detetive, eu vivo perguntado isso.
- Mefistófeles você está aí? Você tá em Moscou? Você tá no Rio? Você tá em São Paulo? Mefistófeles liga pra mim, porque não tem jeito, eu estou sempre ligado na caixa postal do mal. Liga pra mim.

Não é apologia, é apenas a consciência da sinistra harmonia. Da estranha harmonia, da suculenta harmonia entre o bem e o mal. O bem é uma boca, o mal é outra boca. Da saliva desse beijo sai a nossa alma.
Eu sou detetive. Consciência policial é como uma consciência religiosa do submundo. Médico, polícia, puta, advogado, todos vivem de botar o dedo na ferida da vida. Não é apologia é apenas uma estranha harmonia.
Maquiavélicos, Exus de Messalina, Sade vivem soprando no ouvido da humanidade a tentação de usar o próximo como alvo de prazer, de rapina de prazer. Rapina de sentimento, de tudo. E eu sou detetive. A pergunta que não se cala na minha consciência é:
- Mefistófeles onde é que você está, você está em Moscou, você tá em Nova York, você tá na Oceania? Liga pra mim Mefistófeles.
A civilização é um intervalo na minha fixação, na minha obsessão. Eu to sempre ligado por profissão na caixa-postal do mal. Liga pra mim.
- Mefistófeles, você tá aí?
Quando eu ando na rua eu fico perguntando pra cada esquina, pra cada pessoa:
- Mefistófeles, você tá aí?
Eu sou detetive! Médico, puta, advogado, bandido...
Cada minuto de civilização na minha consciência pede uma hora de barbárie.
E eu pergunto pra você:
- Teu pensamento criminal é calculado ou passional? E aí você, garota. O que que você tem de triplamente qualificado?
- Mefistófeles, você tá ai?
Eu sou viciado em perceber a oculta celebração rascante do instinto mórbido extravagante. Maquiavélicos, exus de Messalina, Sade soprando no ouvido da humanidade...
A civilização é apenas um intervalo na minha fixação. Eu sou detetive!
Eu vivo botando o dedo na ferida. Médico, puta, advogado, aventureiro...
- Mefistófeles, você tá aí? Até onde você é capaz de ir, mulher responsável?
Diz pra mim... Diz pra mim... Maquiavélicos, Exus de Messalina, Sade.
Não adianta, a civilização é um intervalo na minha fixação. Eu sou detetive!
Eu sou detetive...
O mal é uma boca o bem é outra boca. Da saliva desse beijo nasce... Surge a nossa alma. Alguém tem que fazer o serviço.
- Mefistófeles, você tá aí? Você tá em Moscou? Liga pra mim... Porque eu to ligado na caixa postal do mal. Liga pra mim, Mefistófeles.
- Um Crime nunca existe isolado, num estado de pureza.
Teima...
- O mal é contagioso.
Minha consciência teima...
- O mal é contagioso.
Teima...
- O mal é contagioso.
Cada minuto de civilização pede uma hora de barbárie...

(Narração de Tony Ramos, em cena do filme Bufo & Spallanzani, 2001)