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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Elástico

Não foi um dos melhores, mas num momento de delírio consegui escrever este texto. Parece que os próximos textos serão mais longos do que era comum ao passado, mas sigo com aquela vontade de sempre, à mercê da inspiração, para produzir mais e mais, e cada vez mais sinto vontade de continuar, e escrever, e ler e partilhar.

"Jack Johnson tem um ritmo agradável. Fez, a partir do reggae, melodias bastante peculiares, com influência da música havaiana e alguns outros elementos que ele utiliza, juntamente com sua voz quase sussurrada. Um dos melhores músicos da atualidade, eu diria. Mas em minha mente, em meu cérebro, cada vez que acaba uma música, há alguma melodia dos anos 1970 ecoando no fundo desta minha noite chuvosa. Mais especificamente o hard rock de Nazareth.
O celular toca ao receber uma mensagem de texto. Meu pai. Toca. A menina que estuda comigo. E de novo, mas agora é a menina que trabalha comigo. Mais uma vez, com uma mensagem da minha tia. Estou conversando com estas pessoas, mas cada vez que ouço a campainha sinalizar uma nova mensagem eu pego o celular pensando ser uma mensagem sua.
Há uma caneca com chá sobre a cama. O computador está ao lado dela. A música vem dele. Eu estou na pior posição que poderia querer agora. Ok, talvez não sejas tão ruim, mas certamente não é tão boa quanto estar deitado do seu lado, sentindo seu perfume. Ou tomando um café, ou um chá, ou sabe-se lá o que. Seria melhor se fosse com você.
O violão está ao meu lado, sobre a cama, esperando uma canção. Mas se eu quiser uma canção agora, se eu fizer uma canção agora, ela será sobre saudade. Ou sobre sorrisos, lábios, noite, perfume e qualquer outra coisa que me faça lembrar você.
Eu vejo uma foto sua no celular e instantaneamente é como se não houvesse saudade. É quase como se eu pudesse estar realmente olhando pra você, tamanha sua presença em meu mundo. Ao mudar de tela a saudade volta e tudo volta a ser o que era. Você está longe, com seus cabelos e todas suas cores, com suas unhas coloridas e seu esmalte pela metade. E quando vejo, sobre a cama, um fio de cabelo longo, pego-o, pensando ser seu. Mas na verdade eu sabia que era meu desde o começo.
Eu olho para o chão, ao lado da cama, e posso imaginar um par de sapato seu ali, esperando seus pés quase sempre frios, mas parte essencial de você. Olho para o travesseiro vazio e imagino você ali deitada. Quase posso vê-la. Mas você não está aqui. Na verdade, está longe. Muito longe. Mas o aroma do incenso que está queimando na sala neste momento me faz lembrar de você. Não sei por que, mas faz.
O tempo passa, a vida passa, às vezes muito rápido, às vezes não. Mas enquanto você não está aqui parece um verdadeiro jogo de vai e vem, do início ao fim, depois ao início novamente. E este vai e vem me deixa preso no tempo-espaço de tal forma que nem sei onde eu estou pra querer que você esteja comigo.
As paredes, o teto, a música, os aromas, tudo se perde e retorna, como uma mola. Vai. Vem. Vai. Vem. A única coisa que me acompanha é a saudade. E parece que é ela quem dá mais impulso e resistência para a mola que impulsiona meus pensamentos nesta noite chuvosa.
Jack Johnson me parece ser bom pra uma noite solitária e chuvosa. Mas está tocando Nazareth. Pego sua rasteirinha para ir até a cozinha pegar uma xícara de café. Não, não era café que eu queria. E não era sua rasteirinha, era minha pantufa. Será que eu posso compor uma música que não fale sobre nada do que eu estou pensando agora?
Se eu acender um incenso talvez me acalme. Enquanto toco uma canção que fala sobre uma garota qualquer eu termino meu trabalho. Na verdade, não. Na verdade eu estou vendo um cabelo pairando no ar, suspenso num momento que não é meu, num espaço que não é seu. Neste momento as coisas se desaceleram, o som para, o coração para, os dedos param. A história para. E a história era sobre uma crônica, mas não era exatamente uma crônica. Era apenas um movimento em falso, um delírio durante o pulsar de uma mola perdida no cosmos, um sentimento vago, contínuo, delgado, suave e lacerante. Dá pra sentir seu calor na pele, se você se concentrar. Enquanto o universo viaja rápido demais...
Eu.
Pareço.
Estar.
Parado.
Bem.
No.
Meio.
Desta.
Saudade.
Na verdade... Eu só queria escrever uma crônica..."

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Compartilhando Experiências

A poesia está intrínseca no todo, em a Natureza, e ainda mais. Por ser Arte, tem como função sensibilizar o homem à grandeza do Universo, suas faces e eventos. Cada ser, com seu ponto de vista, observa-o e traça suas próprias impressões. Ao transformar estas impressões em palavras, surge a poesia. Segue uma impressão, de um ponto de vista, de um indivíduo da casa do Universo.

METAPOESIA

Vê se te desentorta!
Pareces letra morta.
Não adormeça na falta de rima.
Acordo-te
pra algo que não imaginas...
Com teus enleios abro portas.
Vê que és matéria-prima!
Pra uma obra que não termina.
Sinto-te
imperfeita.
És, não cativa, ativa...
Conduze-me
a mundos desconhecidos,
Recônditos mais íntimos de amores perdidos,
De almas de donzelas sofredoras,
A amores sonhados.
Às vezes te confundes perdidamente com a
ciência,
Às vezes abraça-te
sutilmente a almas,
Mas, com a história te encantas, casa-te...
Atravessas com teu penetrante olhar
O mais duro dos corações...
Fizeste-te
assim... ninguém parece te entender...


Mas, sente como se em algum momento
Fizeste parte de sua vida.
Assim és – moça singela –
Letras quentes-frias
Que nos conduzem tão
longe, tão perto –
És doce-útil
Poesia.









Postado por Márcio J. de Lima em Março de 2014. Exalado ao Universo em 24/10/2008.
Disponível em http://devaneiosliterariosdolima.blogspot.com.br/2014/03/metapoesia.html

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Lírios, Lavanda e Jasmim*

Foi uma manhã como outra qualquer. Porém, o sol brilhou com uma luminosidade especial, parecia que as cores estavam mais bem definidas, eu enxergava melhor, quase podia sentir em mim aquelas cores vibrando, como em um sonho.
Vesti um shorts. um par de meias velhas e um tênis fácil de limpar, depois de perceber que parte do dia escorrera por entre meus dedos. Em poucos minutos alcanço a rodovia e, logo em seguida, a abertura na mata. O cheio de terra e folhas mortas era intenso. O barulho do vento na vegetação soava claro e melancólico. Os pneus se chocando contra a lama, contra as pedras, o aço da corrente batendo no alumínio do quadro... Pareço estar completamente integrado à paisagem - eu e minha bicicleta.
Borboletas, gafanhotos, aves e até um pequeno bando de quatis parecem parar no tempo para me ver descer a trilha em alta velocidade. Curvas, saltos, a velha ponte de madeira... Tudo fica para trás ap´pos correr diante de meus olhos. Não existe tempo ou espaço aqui. Como em um universo paralelo livre de leis físicas, me sinto livre.
Tão logo chegam os primeiros pingos de chuva as lembranças se esvaem. Os amigos, família, trabalho, estudos, até mesmo meu nome. Aos poucos tudo torna-se vazio. Somente a natureza existe; eu, não mais. A velocidade torna-se quase insuportável. Já não distinguo a paisagem. A bicicleta move-se sozinha, seguindo a rota costumeira.
Quando sinto a parada brusca percebo que não há mais bicicleta - estou completamente integrado à natureza. Inspiro profundamente, olho ao redor. Penso em erguer as mãos e olhá-las, mas não tenho mãos. Expiro. Nada além de mata, pedras, folhas, flores, pingos de chuva, ar, brisa, o canto do sabiá no alto de uma imbuia em flor.
O calor daquele dia de verão se extinguira. Também não havia frio. Só havia chuva. Inspiro. A percepção diminui, perco a consciência vagarosamente, fecho os olhos até que eu não exista para poder expirar.
Abro os olhos e vejo diante de mim um espelho, mas nada havia refletido nele senão água, peixes, plantas e pedras de rio. Realmente, eu estava dentro do rio. O som da pequena queda d'água se fez real para meus ouvidos ausentes e a pressão da água surge sobre minha pele. Aos poucos a consciência volta, tão lentamente quanto se foi.
Recordo quem sou, as bandas favoritas, os quadros que ficaram gravados na memória, os discos que fizeram parte de tantos momentos...
Percebo minhas mãos, braços, pernas. Tenho vontade de expirar. As bolhas de ar saem de meus pulmões e espalham-se, no espelho, chegando à superfície. As lembranças se colorem, o vermelho e o preto ganham destaque, abre-se um sorriso. O ar acaba, volto para a superfície e logo os pingos de chuva, o verde, o cheiro de terra, das folhas mortas e do musgo voltam a existir. Sinto a brisa tocar minha pele, inspiro novamente. Encho os pulmões e sinto a vida fluir, naquele momento, em tudo ao meu redor.
Já não estou dentro d'água. A pequena cachoeira não pode mais distorcer a imagem refletida pelo espelho, que também se faz vida. Os longos cabelos molhados pendem sobre a pele alva. Os olhos amendoados voltam-se para mim. A imagem do espelho ganha vida, forma e movimento. Aproxima-se lenta, o sorriso ainda mais iluminado. Claramente traz consigo o perfume de flores do campo. Antes que eu pudesse tomar qualquer atitude ergue os braços e estende-os à minha volta. Não vejo o movimento dos lábios, mas a voz doce e melódica ecoa em minha mente, me chamando para partir. Vejo-me agora envolto por aquela criatura, tão eu, tão única, saída da natureza num quadro surreal, inimaginável, sinto meu corpo leve, suspenso no ar, enquanto nos movíamos para longe dali. As lembranças, os gostos, os gestos, tudo se recria exatamente como sempre foi, como num sonho, como em outro universo, como numa outra vida.


*Escrito ao som da chuva, um violino distante e Coil, da banda Opeth.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O Retorno no Fim do Dia


Adeus, Meus Sonhos!


Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia

Morreu na minha triste mocidade!


Misérrimo! Votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto,
E minh'alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.



Que me resta, meu Deus?


Morra comigo
A estrela de meus cândidos amores,
Já não vejo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!


(Álvares de Azevedo)


Há muito este poema está aqui, morto, abandonado ao tempo, enquanto espaço algum há de percorrer, pela sua insignificância preconceituada em uma visão superficial e imediatista de meus dias. Forçosa e cegamente o abandonei. Até quando ficaria aqui? Se uma alma vagante do mundo não me tivesse alertado sobre seu paradeiro, ainda estaria preso em um corredor infinito, onde cada esquina joga-lo-ia ao seu início, desperdiçando as nobres e apaixonadas palavras de um dos grandes senhores das sombras, aonde o mundo se dirige em momentos de melancolia, aflição e tristeza. Porém, não mais nas sombras estas palavras e, assim como o mar, em letras  esparramadas de Paulo Leminski, sobre a pedra à beira mar, vão espalhar-se mundo a fora, desde o litoral, passando pelas ruelas de Morretes, subindo a Mateus Leme até o Largo da Odem, a ser visto pelo Sr. Trevisan, saindo pela 277 e percorrendo este tão belo estado, levado pelo vento gélido que hoje sopra até o alto das colinas, tocando de leve o meu ser, que deixa um suspiro breve de saudade e lembrança.

Boa noite, amigos meus. Boa noite.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A Arrogância Segundo os Medíocres

“Adorei o seu sapato”, disse uma amiga para mim certa vez. “Legal, né? Eu comprei em uma feira de artesanato na Colômbia, achei super legal também”, eu respondi, de fato empolgada porque eu também adorava o sapato. Foi o suficiente para causar reticências quase visíveis nela e no namorado e, se não fosse chato demais, eles teriam dado uma risadinha e rolariam os olhos um para o outro, como quem diz “que metida”. Mas para meia-entendedora que sou, o “Ah…” que ela respondeu bastou.
Incrível é que posso afirmar com toda convicção que, se tivesse comprado aquele sapato em um camelô da 25 de março, eu responderia com a mesma empolgação: “Legal, né? Achei lá na 25!”. Só que aí sim eu teria uma reação positiva, porque comprar na 25 “pode”.
Experiências como essa fazem com que eu mantenha minhas viagens em 13 países, minha fluência em francês e meus conhecimentos sobre temas do meu interesse (linguística, mitologia, gastronomia etc) praticamente para mim mesma e, em doses homeopáticas, somente entre meu restrito círculo familiar e de amigos (aqueles que a gente conta nos dedos das mãos).
Essa censura intelectual me deixa irritada. Isso porque a mediocridade faz com que muitos torçam o nariz para tudo aquilo que não conhecem, mas que socialmente é considerado algo de um nível de cultura e poder aquisitivo superior. E assim você vira um arrogante. Te repudiam pelo simples fato de você mencionar algo que tem uma tarja invisível de “coisa de gente fresca”.
Não importa que ele pague R$ 30 mil em um carro zero, enquanto você dirige um carro de mais 15 anos e viaja durante um mês a cada dois anos para o exterior gastando R$ 5 mil (dinheiro que você, que não quer um carro zero, juntou com o seu trabalho enquanto ele pagava parcelas de mil reais ao mês). Não importa que você conheça uma palavra em outra língua que expressa muito melhor o que você quer falar. Você não pode mencioná-la de jeito nenhum! Mas ele escreve errado o português, troca “c” por “ç”, “s” por “z” e tudo bem.
Não pode falar que não gosta de novela ou de Big Brother, senão você é chato. Não pode fazer referência a livro nenhum, ou falar que foi em um concerto de música clássica, ou você é esnobe. Não ouso sequer mencionar meus amigos estrangeiros, correndo o risco de apedrejamento.
Pagar R$200 em uma aula de francês não pode. Mas pagar mais em uma academia, sem problemas. Se eu como aspargos e queijo brie, sou “chique”. Mas se gasto os mesmos R$ 20 (que compra os dois ingredientes citados) em um lanche do Mc Donald’s, aí tudo bem. Se desembolso R$100 em uma roupa ou acessório que gosto muito, sou uma riquinha consumista. Mas gastar R$100 no salão de cabeleireiro do bairro pra ter alguém refazendo sua chapinha é considerado normal. Gastar de R$30 a R$50 em vinho (seco, ainda por cima) é um absurdo. Mas R$80 em um abadá, ou em cerveja ruim na balada, ou em uma festa open bar… Tranquilo!
Meu ponto é que as pessoas que mais exercem essa censura intelectual têm acesso às mesmas coisas que eu, mas escolhem outro estilo de vida. Que pode ser até mais caro do que o meu, mas que não tem a pecha de coisa de gente arrogante.
O dicionário Aulete define a palavra “arrogância” da seguinte forma:
1. Ação ou resultado de atribui a si mesmo prerrogativa(s), direito(s), qualidade(s) etc.
2. Qualidade de arrogante, de quem se pretende superior ou melhor e o manifesta em atitudes de desprezo aos outros, de empáfia, de insolência etc.
3. Atitude, comportamento prepotente de quem se considera superior em relação aos outros; INSOLÊNCIA: “…e atirou-lhe com arrogância o troco sobre o balcão.” (José de Alencar, A Viuvinha))
4. Ação desrespeitosa, que revela empáfia, insolência, desrespeito: Suas arrogâncias ultrapassam todo limite.
Pois bem. Ser arrogante é, então, atribuir-se qualidades que fazem com que você se ache superior aos outros. Mas a grande questão é que em nenhum momento coloco que meus interesses por línguas estrangeiras, viagens, design, gastronomia e cultura alternativa são mais relevantes do que outros. Ou pior: que me fazem alguém melhor que os outros. São os outros que se colocam abaixo de mim por não ter os mesmos interesses, taxar esses interesses de “coisa de grã-fino” (sim, ainda usam esse termo) e achar que vivem em um universo dos “pobres legais”, ainda que tenham o mesmo salário que eu. E o pior é que vivem, mesmo: no universo da pobreza de espírito.

(Texto publicado por uma brasileira que, assim como eu, sofre com sua indignação em relação àquelas pessoas chatas que se dizem os "legais" e agem com preconceito com aqueles que, assim como ela e eu, preferem qualidadequantidade).

E Daí?


Eu me pergunto - e daí?
O tempo passa, os dias vêm e vão. “Vão os anéis e ficam os dedos”, “vão os dedos e ficam os anéis”. “Eu não sou um bom lugar”. “Ouça o que eu digo: não ouça ninguém”. Sinceramente? Não sei. Não sei o que está certo, não sei o que está errado. Sei aquilo que vejo, que é ponderável. Sei aquilo que se mostra verdadeiro, e não intocável. Meias palavras, subversão, duplo sentido, nada disso basta quando tudo o que se quer é um pouco de quase-nada. Depois de um café Solitário-Simples-Sem-Açúcar fico aqui pensando em quanto falta pra esse quase-nada. Aliás, o que é esse quase-nada? Talvez seja um quase-nada tão grande que eu nem consiga imaginar. Talvez seja tão simples que eu já consegui. Talvez seja tão complexo que eu nunca chegue a conquistar. Ou, talvez, seja tanta coisa que, de uma só vez, seja impossível conseguir mas, com persistência, dedicação e devoção, eu chegue aonde quero muito mais rápido - e em melhores condições - do que eu imagino que possa. Talvez uma xícara de café ajude a manter a calma até que chegue o dia, que não demorará, eu sei. Eu sei. Enquanto ele não chega, aproveito a rara qualidade no sinal de celular pra te ligar 30x por dia, só pra dizer que estava com saudade.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Recomeço

Sexta feira, dia 21 de dezembro de 2012. As pessoas estão aguardando o fim do mundo, conforme (dizem) está descrito em um calendário Maia encontrado recentemente. Porém, o que as pessoas não percebem (e já foi, inclusive, corrigido pelo tradutor do documento) é que foi feito um trocadilho com as datas: 21, 12, 20, 12. Na verdade, acho uma grande besteira. O calendário cita o dia 23 de dezembro (sim, domingo e não hoje). O calendário não cita o fim do mundo, mas sim o retorno de um grande deus-imperador (ou imperador-deus, se alguns preferirem). Minha pergunta, no fim, é: que diferença isso faz?

1- Muitas pessoas estão planejando assassinatos, pilhagens e, principalmente, suicídios. Isso é uma diferença estrondosa e catastrófica. E essa ideia me assusta.
2- Muitas pessoas estão deixando seus lares, suas famílias, porque querem fazer algo que estão com vontade (que nem sempre atendem aos requisitos citados no post de ontem). Exemplos: beber cerveja até derreter o pâncreas, usar drogas, abusar do sexo ou qualquer outra coisa, sair por aí, sem destino, só pra estar em um lugar qualquer (percebam: não é em algum lugar, é em lugar qualquer, e isso tem significados diferentes). Pessoas abandonam suas vidas para morrer onde nunca estiveram, como nunca estiveram. Abandonam todos os seus propósitos.
3- Eu estou aqui, você não está aqui. Você está aí e eu não estou aí. Onde está a justiça se, depois de tudo, nem mesmo posso estar ao seu lado, diante do fim? A propósito, isso não se aplica a uma única pessoa, mas a algumas bem especiais. Poucas, de fato, mas eu realmente ficaria muito feliz se ao menos pudesse me despedir delas. Embora, todos saibam, há uma, em especial, que me faria abandonar tudo, se fosse o fim.
4- Tenho fontes consideravelmente seguras com previsões para os anos de 2017, 2035, 2057 e alguns anos seguintes. Então, não vão me convencer disso.
5- Para mim, o mundo está em um processo contínuo de fim. Fim da injustiça, fim da vista grossa, fim do comodismo, fim da corrupção. Observo os feitos do honorável senhor Juiz Joaquim Barboza Neto e fico impressionado com a coragem, a audácia e o senso de justiça deste homem que está realizando não mais que o seu trabalho, de forma honrosa. Observo as mudanças que promovi em minha vida, em prol de causas nobres. Coisas que sempre fiz e que não me despertavam qualquer sentimento negativo, hoje vejo com extremo incômodo, o que me leva a buscar estas mudanças, muitas vezes, intensas e claramente perceptíveis. Não estou mudando minha essência. Nem pretendo fazer isso. Mas há detalhes, há fatos, manias, hábitos (ou falta deles) que me tornaram uma pessoa insuficientemente capaz de sustentar alguns pilares essenciais da vida. E são esses detalhes que permitem a construção destes pilares, que não são os principais, mas reforçam as estruturas, como um todo.


...

21 de Dezembro de 2012. O mundo não vai acabar hoje. O mundo está acabando já há cerca de um ano. E vai continuar a acabar-se, até que esteja completamente modificado pois, embora as coisas se acabem, a lentidão contínua e proposital permite se construa um novo mundo, enquanto o atual se despede daquilo que um dia foi.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Quando a Vontade Chega

Quando a vontade chega não há muito que fazer.
Quando você sente vontade de fazer algo, a primeira coisa é ESCOLHER. Você gosta disso que tem vontade? Esta coisa vai prejudicar você? Vai prejudicar outras pessoas que estão envolvidas? Qual será a consequência? Há uma vantagem de aceites sobre rejeições?
Se as respostas forem favoráveis, vem o segundo passo. PLANEJAR. Como você vai fazer isso? Quando? Quanto vai custar? De quanto tempo precisará? Por onde, para onde vai e onde vai procurar abrigo? Quem estará com você? Como tornar o fato agradável além daquilo que se espera?
Obviamente, o próximo passo é INICIAR o projeto. Comece pela parte mais simples, mas que é considerada essencial para que nada dê errado. Faça aquilo que é necessário logo de cara, para depois ficar apenas com tarefas secundárias. Em caso de falha, ou você não conseguirá executar o projeto, ou você não terá problemas, porque serão erros pequenos demais pra atrapalhar no andamento das coisas.
Depois disso, deve CONTINUAR até o fim. O que você começou deve ser sustentado até o fim. Nunca desista, esqueça ou abandone algo que você goste ou queira muito.
Ao TERMINAR o projeto, faça-o com cuidado, para que o fim não seja um momento de choque, pelos desligamentos ou final das atividades, ou mesmo a separação de pessoas, locais ou objetos. Você deve se preparar para o final. Todos devem se preparar. E então, quando chegar a hora, acontecerá naturalmente.
Depois de voltar pra casa, volte sua vida aos eixos. Nunca mude (exceto se for para melhor, isso é óbvio). Retome suas rotinas, busque suas inovações e, principalmente, CRIE NOVOS PROJETOS. Isso é muito importante.

Mas, se algo, durante este período, acontecer de forma a prejudicar a execução do seu projeto, interrompa o processo. Se você souber que algo vai tentar impedir que se construam seus planos, mesmo que não haja problemas com eles, então abandone projetos, pesquisas e o que mais estiver fazendo.

Pegue suas coisas, caia na estrada, viva sua vida sem planejar. As vezes queremos viver de forma comedida, calculada. e deixamos de viver. Algumas loucuras são permitidas e, sem dúvidas, as melhores experiências serão listadas entre elas.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Meu Ano Novo

Acho que hoje vocês terão uma grande surpresa.

Eu bem poderia escrever inúmeras coisas aqui e minha vontade era, na verdade, postar uma crônica que escrevi há uns meses, tratando sobre meus mais de 600 anos, citando fatos históricos que aconteceram e que vivenciei durante minha vida. Mas, por que, no fim das contas, falar sobre isso?

Hoje é um dia. É um período de 24 horas. Uma volta completa do planeta em torno do próprio eixo. Aliás, o Sol hoje está sorrindo bastante pra mim. Fiquei uns 30 minutos andando na rua e já me senti mal. Tudo bem, sei que a intenção é boa, da parte dele. Heheheh.

O que eu quero dizer hoje é apenas "Feliz Aniversário" pra mim mesmo, só em agradecimento a todas as conquistas que tive nesses últimos 12 meses. Para mim, um ano é apenas um período de tempo e tudo aquilo que estava planejado para os últimos 12 meses que eu ainda não consegui fazer terá continuidade pelos próximos 12 meses ou mais, conforme necessário.

Agradeço a todos que me fizeram e fazer ver coisas diferentes, vislumbrar novos horizontes, buscar novos ares e boas oportunidades. Durante todos esses 15 anos que passei por aqui eu jamais fiquei à mercê da vida, sempre tive alguém que me orientasse e auxiliasse nos momentos difíceis, mesmo que involuntariamente ou distante demais para que isso fosse "possível" (na mente dos que têm limites).

E por enquanto é isso. Assim que tiver mais novidades posto aqui.

Vida longa a mim e àqueles que fazem por merecer. Lutemos sempre, pelo bem, pela justiça, pela Liberdade, pela Igualdade e pela Fraternidade.

domingo, 23 de janeiro de 2011

O Mal É Contagioso

Pra quem não entendeu o último post, de novembro passado, devo minhas sinceras desculpas se pareci depressivo ou odioso. Não se enganem. Eu não sou alvo da depressão, meus queridos leitores.


Vou dizer o que aconteceu naqueles dias. Meus pais estavam saindo de viagem, eu tive um pesadelo terrível, mas uma daquelas batalhas épicas contra algum criminoso que tentava me alcançar, vários amigos estavam trabalhando nas operações do RJ. Eu sei que aquilo não é como controlar uma rebelião num presídio, nem conter um bando de torcedores fanáticos que estão fazendo arruaça. Muito menos estar em uma guerra militar. Aquilo é uma guerra civil e numa guerra civil não há como prever os movimentos do inimigo. E sim, eu estava MUITO preocupado. Sem falar, ainda, em outras coisas totalmente sem sentido que eu estava carregando em minha vida naqueles dias. Alguns dias depois daquele post, decidi mudar, olhar para novos horizontes. Não apenas queria explodir as grades, mas sim, o fiz e ainda voei. Voei alto e agora estou no alto da montanha, inspirado pelo estimado AgaGê, poeta da razão. Mas no fim das contas, aquele sentimento ainda permanece.
E pra quem quiser entender no que eu estava pensando, segue a letra de O Mal É Contagioso, de Daddo Villa-Lobos, escrito para a trilha sonora do filme Bufo & Spallanzani (2001), que, inclusive, indico aos amigos. Romance policial, nacional, de qualidade. E vejam vocês que eu nem gosto tanto de filme nacional heim... =D
Preparem-se para uma viagem. pra quem quiser, a música está disponível para ouvir em www.radio.uol.com.br. Procurem na letra D, página 2, Daddo Villa-Lobos. E divirtam-se!








Não adianta, eu sou viciado em perceber a oculta celebração rascante do instinto mórbido extravagante.
Eu sou detetive, e todo detetive olha prás pessoas, olha em volta e pergunta:
- Mefistófeles você está aí?
Olha para uma pessoa e pergunta:
- Até aonde você é capaz de ir?

Não adianta, cada minuto de civilização na minha mente pede uma hora de barbárie. Pede na mente de qualquer pessoa, e eu pergunto:
- E aí rapaz, o teu pensamento criminal é calculado ou passional? Fala pra mim, pacato. Fala pra mim, mulher responsável. Fala pra mim, singelo. Fala pra mim, homem de bem. Teu pensamento criminal é calculado ou passional?

- Mefistófeles você está aí?
Eu sou detetive, eu vivo perguntado isso.
- Mefistófeles você está aí? Você tá em Moscou? Você tá no Rio? Você tá em São Paulo? Mefistófeles liga pra mim, porque não tem jeito, eu estou sempre ligado na caixa postal do mal. Liga pra mim.

Não é apologia, é apenas a consciência da sinistra harmonia. Da estranha harmonia, da suculenta harmonia entre o bem e o mal. O bem é uma boca, o mal é outra boca. Da saliva desse beijo sai a nossa alma.
Eu sou detetive. Consciência policial é como uma consciência religiosa do submundo. Médico, polícia, puta, advogado, todos vivem de botar o dedo na ferida da vida. Não é apologia é apenas uma estranha harmonia.
Maquiavélicos, Exus de Messalina, Sade vivem soprando no ouvido da humanidade a tentação de usar o próximo como alvo de prazer, de rapina de prazer. Rapina de sentimento, de tudo. E eu sou detetive. A pergunta que não se cala na minha consciência é:
- Mefistófeles onde é que você está, você está em Moscou, você tá em Nova York, você tá na Oceania? Liga pra mim Mefistófeles.
A civilização é um intervalo na minha fixação, na minha obsessão. Eu to sempre ligado por profissão na caixa-postal do mal. Liga pra mim.
- Mefistófeles, você tá aí?
Quando eu ando na rua eu fico perguntando pra cada esquina, pra cada pessoa:
- Mefistófeles, você tá aí?
Eu sou detetive! Médico, puta, advogado, bandido...
Cada minuto de civilização na minha consciência pede uma hora de barbárie.
E eu pergunto pra você:
- Teu pensamento criminal é calculado ou passional? E aí você, garota. O que que você tem de triplamente qualificado?
- Mefistófeles, você tá ai?
Eu sou viciado em perceber a oculta celebração rascante do instinto mórbido extravagante. Maquiavélicos, exus de Messalina, Sade soprando no ouvido da humanidade...
A civilização é apenas um intervalo na minha fixação. Eu sou detetive!
Eu vivo botando o dedo na ferida. Médico, puta, advogado, aventureiro...
- Mefistófeles, você tá aí? Até onde você é capaz de ir, mulher responsável?
Diz pra mim... Diz pra mim... Maquiavélicos, Exus de Messalina, Sade.
Não adianta, a civilização é um intervalo na minha fixação. Eu sou detetive!
Eu sou detetive...
O mal é uma boca o bem é outra boca. Da saliva desse beijo nasce... Surge a nossa alma. Alguém tem que fazer o serviço.
- Mefistófeles, você tá aí? Você tá em Moscou? Liga pra mim... Porque eu to ligado na caixa postal do mal. Liga pra mim, Mefistófeles.
- Um Crime nunca existe isolado, num estado de pureza.
Teima...
- O mal é contagioso.
Minha consciência teima...
- O mal é contagioso.
Teima...
- O mal é contagioso.
Cada minuto de civilização pede uma hora de barbárie...

(Narração de Tony Ramos, em cena do filme Bufo & Spallanzani, 2001)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Várias Variáveis I

Abri a gaveta com a sensação de que eu encontraria algo bom pra comer. Mas não encontrei. A única coisa que eu tenho pra engolir é a verdade. Eu deveria estar escrevendo isso. Abre o Blog, pensa, escreve, pensa, escreve, pensa, escreve, pensa, escreve...

Não consegui uma vaga pro Mestrado da UEM. "Tudo bem, tenta ano que vem", dizem vários. Mas não, não posso perder tempo. Ou melhor, já perdi. Mais um ano parado e tudo por causa da esperança de ter ido embora pra Santa Catarina. O que tem naquele lugar que eu tanto quero? Mulheres, praia, sol, mar... A vida não é pra mim. O clima perfeito não é pra mim. Enquanto isso eu vou passar aqui, trabalhando aqui, respirando o pó velho daqui. E minha alergia vai continuar viva aqui, dentro de mim.
Tudo bem, essas coisas acontecem. A vida continua e a cidade permanece a mesma, enquanto eu vou tentando me adequar. Mas quem é que se adequa a alguma coisa? Adequação é mudança e mais do que nunca me convenço de que pessoas não mudam.

E quanto a ela? Ela ficou. Ficou só. Ficou triste e por isso chorei. Mas a vida aqui segue. A vida aqui, enquanto estou preso nessa redoma segue. E apesar de tudo, segue feliz. Feliz porque tenho mais companhia.
E eles? Eles tão lá, na rua, subindo o morro, atravessando o Inferno Verde. Daqui a pouco vão começar a descer. E o que eu posso fazer? Nada. Minha tarefa é outra. Enquanto eu quero fazer parte da força-tarefa que tá quebrando tudo por lá, minha missão é permanecer aqui, calado. Tenho minhas obrigações aqui também e é claro que eu não poderei deixá-las pra trás.

Fico aqui, enquanto isso, aguardando uma ligação. "Onde é que vc tá, parceiro? Tá na Penha, tá no Largo? Tá no morro?" "Eu sou detetive. A única coisa em que consigo fazer é pensar sobre essa porcaria toda", diria o Inspetor Guedes. Mandei os caras pra morte, pra ver face a face o que é estar numa guerra. Quero saber quando os caras que tavam no meio-oeste europeu vão chegar. E como é que os malditos vão agir? Conversar em búlgaro no meio da favela? Isso vai ser tenso. O bom é saber que a parada toda vai acabar.

Final de semana vai ser livre. Tenho aula, mas, e daí? Aquilo é quase um recanto de paz pra minha alma. Eu fujo do mundo quando to com o pessoal da pós graduação. Discutimos teorias diversas e eu esqueço dessa m**** toda. E depois, algumas horas com ela vão fazer eu ficar bem calminho.

Eu hoje tive um sonho. Eu peguei você, seu safado. E vou pegar cada vez que você tentar alguma coisa contra mim ou contra minha família, meus amigos. Você já era. Sabe bem disso. E sabe que quando eu te pego as coisas não ficam bem pro seu lado. Eu vou quebrar cada um de seus ossos.


Final de semana vai ser bom. Pais viajando em segurança, em paz, a caminho da Capital. Amigos, voltem logo. Que esta operação seja a prova de que vocês são os melhores. E quanto a nós, que permanecemos aqui, vamos vivendo, poque nenhum entendimento será o bastante para a vida. "Viver ultrapassa qualquer entendimento".


Da minha morte, à vocês!

Com amor, O, C, B e K.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Trocando em miúdos

É engraçado com as vezes a gente se "apaixona" por algumas pessoas, o que, a princípio, é algo inimaginável. Por exemplo, uma garota que eu vejo volta e meia. Ela é simplesmente fascinante. Nada demais, se comparando a outras (inclusive mais velhas) que se vê por aí. Mas ela, em especial, chama muito a atenção.

Homem é uma coisa séria, não é mesmo? As vezes me questiono sobre os meus sentimentos e acabo definindo-os muito bem, mas sempre há uma graaande complicação na parte de "como" você sente, o que é bem diferente de "o que" você sente.

Ahh. Vamos parar com os devaneios, pq isso é coisa pra Liih_Amoriim. AHEuhaeuhaeuhae.

Continuando (inevitável), no Formspring me perguntaram o seguinte: "vc tá com alguém?"
Como assim, eu estou com alguém? Em que sentido? Se há alguém especial na minha vida? Sim! Todos os meus amigos! Se há alguém que eu ame muito? De certo! pais, amigos, primos, irmãos... E se há uma mulher que me desperte um sentimento diferenciado, sim. Também há. Mas não iria responder tudo isso, então cito esta música, do Engenheiros do Hawaii, gravada no disco Minuano (1997):

Humano Demais

De tudo que é humano nada me é estranho
Se o mar não tá pra peixe desse tamanho
Eu não esquento, eu não me iludo
Eu troco em miúdos o primeiro toque
!E nada pode ser maior! ...

De tudo que é humano nada me é estranho
Fruto e semente... Criatura e criador
As curvas da estrada... As pedras no caminho
Os filmes de guerra e as canções de amor
!Nada pode ser maior! ...

De tudo que acontece nada me surpreende
Tudo me parece !tão normal!
Um big mac... Maktub...
Drops de Deus... Filosofia fast-food
!Nada pode ser maior!
Não é ciência exata, não acontece em tempo real
É demais! Humano demais!
Não é ciência exata, não acontece em tempo real
É demais! Animal!
Agora somos só nós dois: eu e minha circunstância
Sempre foi só nós dois: eu e minha circunstância
Sempre só nós dois: eu e eu e eu e eu e eu...
Não é ciência exata, não acontece em tempo real
É demais! Humano demais!
Não é ciência exata, não acontece em tempo real
É demais! Animal!

...não é ciência exata...
...não é ciência exata...
...não é...nada pode ser...
Maior!

Poxa, essa música que diz tanto em tão pouco, que diz tudo e ao mesmo tempo nada, só nos faz refletir e chegar às mais diversificadas e misteriosas conclusões.
Eu, por exemplo, poderia muito bem estar ao lado de alguém em especial, mas, como dito, estamos juntos apenas eu e minha circunstância.


Seguindo nas curvas do caminho, quem pode, sabe onde me encontrar. Quem não encontra é por pura falta de vontade.


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Pronto. Não tem mais desculpa, né?


Beijos a todos!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Um sujeito e sua oração

"Sem horas e sem dores
Respeitável público pagão
Bem vindo ao teatro mágico!
Sintaxe a vontade...

Sem horas e sem dores, respeitável público pagão!
A partir de sempre toda cura pertence a nós.
Toda resposta e dúvida!
Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser.
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto.
Nenhum predicado será prejudicado, nem tampouco a vírgula, nem a crase, nem a frase e ponto final! Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas...
E estar entre vírgulas é aposto. E eu aposto o oposto que vou cativar a todos sendo apenas um sujeito simples, um sujeito e sua oração. Sua pressa e sua prece.
Que a regência da paz sirva a todos nós... Cegos ou não, que enxerguemos o fato de termos acessórios para nossa oração, separados ou adjuntos, nominais ou não.

Façamos parte do contexto da crônica e de todas as capas de edição especial.
Sejamos também o anúncio da contra-capa! Mas ser a capa e ser contra-capa é a beleza da contradição. É negar a si mesmo. E negar a si mesmo é muitas vezes, encontrar-se com Deus...
Com o teu Deus...



Sem horas e sem dores, que nesse encontro que acontece agora cada um possa se encontrar no outro e que o outro possa se encontrar no um. Até porque tem horas que a gente se pergunta...


POR QUE É QUE NÃO SE JUNTA TUDO NUMA COISA SÓ??




E eu me pergunto como pode a poesia de um único homem influir tanto no mundo, fazer com que tantas pessoas vibrem em um mesmo ideal... Na verdade, minha dúvida não é quanto a isso, mas sim quanto a como as pessoas podem, ao ver uma situação como esta, ao observar a realidade d um homem como Fernando Anitelli, como Humberto Gessinger, como Cazuza, Renato, Raul, Bono e tantos outros que atraem multidões, todos de alguma forma indagando as populações sobre a vida, sobre a verdade, sobre o mundo, podem insistir em continuar negando toda essa influência.
Como alguém pode querer transformar tudo isso em coisas distintas, enquanto é óbvio a proximidade entre todos, entre tudo, a tal ponto que juntar tudo numa coisa só seria praticamente o óbvio por si só... E assim me pergunto, com tantos mensageiros do Cristo em nosso meio, disfarçados de "simples" músicos ou artistas, poetas, escritores, além da palavra do Mestre perpetuada no mundo pela pregação de seus apóstolos daquele tempo, retransmitida ao homem de hoje de tantas maneiras (várias enganadoras e com propósitos degradantes, além das inocentes interpretações das palavras de Jesus por mentes ainda infantis) como podem alguns negarem-lhe a existência, a sabedoria e a pureza?


Da mesma forma que Hitler conduziu multidões, Jesus nos convida a segui-lo. "Vende seus bens, distribua o lucro aos necessitados, vem e segue-me". Obviamente não vamos virar peregrinos em pleno século XXI e viver mendigando por aí. Apenas deveríamos pensar um pouco mais, respeitar um pouco mais, sentir um pouco mais e viver um pouco mais a beleza que é ser cristão.


O que vemos hoje é uma sociedade rancorosa, melindrosa, que ofende e se ofende por qualquer bobagem, que rouba, que mata, que corrompe, que desvia, disfarça, devassa, as mais absurdas falcatruas.


E A PREFEITURA QUE CENSUROU O CQC NO PROGRAMA DA SEGUNDA, QUE VERGONHA! DEFENDENDO A DIRETORA DA ESCOLA MUNICIPAL QUE GANHOU DO PROGRAMA A TV NOVINHA E QUE FOI RASTREADA POR UM GPS, COMPROVANDO SUA PRESENÇA NA CASA DA DIRETORA EM VEZ DE NA ESCOLA! QUE VERGONHA!


Pensar, pensar. Esta a chave para o conhecimento. A reflexão sobre o mundo, sobre a vida, sobre nossos atos, sobre os atos do próximo, não enquanto juízes, mas enquanto aprendizes do que se deve ou não fazer. Seguir a ética é fácil: faça tudo aquilo que desejaríeis que vos fizessem. Jesus, gente! Percebam que eu não estou falando de religião, mas sim sobre RELIGIOSIDADE, coisa que muitos "religiosos" não tem.


Sinto falta daqueles filósofos que falavam todas aquelas coisas bonitas no passado. Mas as vezes me pergunto se eles não seriam todos amontoados como uma coisa só e colocados de lado, tal como foi/está sendo feito com tantos outros...


Beijos a todos!

sábado, 30 de maio de 2009

abacaxicomcanela

Olá, cidadãos dessa cidade chuvosa, de cidades alagadas ou de desertos, brasileiros ou não; sem horas e sem dores, público presente de um dia qualquer, sintaxe á vontade, nesse mundo, ora limpo, ora imundo, pois se eu me chamasse Raul ou Raimundo, não seria rima, o céu não seria solução.

Lembrando que o dia 8 de maio de 2009, foi a data do lançamento do novo álbum do Lacrimosa, junto com mais duas surpresas pela banda: Sehnsucht vem com novas composições de Tilo Wolff e Anne Nurmi, gravados na Suíça, pela Hall Of Sermon. Além desse album, estão sendo lançados o single Feuer e Sehnsuch Special Edition, com versões alternativas das novas canções. Empolgado? Tsc tsc.. Magina!! ;) www.lacrimosa.ch



Enfim, o que venho apresentar hoje é o que diz o título do post: ABACAXI COM CANELA.



Na verdade, foi só uma brincadeira que fiz nãomelembroporquê e achei engraçado. E já que abacaxi é uma palavra de origem tupi-guarani, vou postar uma música e fazer uns comentários sobre isso. A composição é de... Hmmm... E se chama... Não sei... aheuheeuahea

Ah, sim. A música é Tu Tu Tu Tupi, composta pelo carinha que faz a trilha sonora de Cocóricó e Castelo Ra Tim Bum. É, e de criança...


Tu Tu Tu Tu Tu Tupi

Todo mundo tem um pouco de índio
Dentro de si. Dentro de si

Todo mundo fala língua de índio
Tupi Guarani. Tupi Guarani

E o velho cacique já dizia
Tem coisas que a gente sabe e não sabe que sabia e ô e ô

O índio andou pelo Brasil
Deu nome pra tudo que ele viu
Se o índio deu nome, tá dado!
Se o índio falou, tá falado!
Se o índio chacoalhou tá chacoalhado! e ô e ô

Chacoalha o chocalho! Chacoalha o chocalho! Vamos chacoalhar! Vamos chacoalhar! Chacoalha o chocalho! Chacoalha o chocalho Que índio vai falar:

Jabuticaba Caju Maracujá Pipoca Mandioca Abacaxi
É tudo tupi. Tupi guarani.

Tamanduá Urubu Jaburu Jararaca Jibóia
Tatu Tu Tu Tu
É tudo tupi. Tupi guarani

Arara Tucano Araponga Piranha
Perereca Sagüi Jabuti Jacaré
Jacaré Jacaré: Quem sabe o que é que é?
- Aquele que olha de lado...
É ou não é?

Se o índio falou tá falado
Se o índio chacoalhou tá chacoalhado e ô e ô

Maranhão Maceió Macapá Marajó
Paraná Paraíba Pernambuco Piauí
Jundiaí Morumbi Curitiba Parati
É tudo tupi

Butantã Tremembé Tatuapé
Tatuapé Tatuapé quem sabe o que é que é?
- caminho do Tatu...

Tu Tu Tu Tu
Todo mundo tem um pouco de índio
Dentro de si. Dentro de si

Todo mundo fala língua de índio
Tupi Guarani. Tupi Guarani
e ô e ô!


Isso, muito bom!! Agora, pare. Pense. Analise... Pra viver uma vida feliz e com realizações, são necessárias respostas!
E para obter respostas, nada melhor que perguntas. E minha pergunta é:

Se tatu tem origem tupi guarani e tatuapé, de mesma origem, significa "caminho do tatu", então, é essa a origem da expressão "à pé"? Pense comigo... À pé segue quem caminha, quem segue um trajeto andando sobre os próprios pés. Não é como o tatu? Então, tatuapé significa "local de caminhada do tatu". OMG!!! Aehuaehaeuaehuaeuhaehae


Mais uma coisa: De quem foi a idéia de assar um abacaxi?? Pense que é bom pra comer com churrasco. Eu acho que alguém tava preparando uma salada e derrubou o abacaxi na churrasqueira. Ou então aqueles sobrinhos chatos pegaram um abacaxi e espetaram, colocando junto com a carne pra fazer gracinha, como se fosse um pernil de Natal, aqueles redondinhos suculentos OMG² que delícia!!
O fato é que o tio tava tão bêbado que cortou o abacaxi e comeu pensando ser um pernil de Natal, naquela festa de 1 de Maio, serviu pra galera e fez sucesso. Vai saber...
Ou então teve origem naqueles restaurantes vegans que quiseram copiar a maioria e fazer um churrasco saudável. Por que não? =P

Aliás, falando em vegetarianos, gostaria de expressar meu descontentamento com uma propaganda da MerdCard, digo, MasterCard, quando disseram que "não ter amigos vegetarianos não tem preço".
Qual é o maldito problema em se ter amigos vegetarianos? Eu vou dizer uma coisa que eu percebi. Você não conhece muitos vegetarianos, exceto se você for vegetariano. Neste último caso, tudo bem, você é um deles. Mas, caso não seja, perceba que existem dois tipos de vegetarianos: os muito chatos, que tentam explicar o por quê de eles serem vegetarianos, o suposto mal que a carne faz, a capacidade de absorver proteínas de outras fontes e blablablas, portanto, não são seus amigos; e os seus amigos, o que significa que eles são vegetarianos e tudo bem.
Sendo assim, digo, se os chatos serão sempre chatos e seus amigos são seus amigos mesmo, qual o problema? Um amigo vegetariano não é tão legal quanto um amigo carnivorista?
MasterCard, me envergonhei...

E por falar em amigos, deixo aqui meus beijos e abraços, ainda a serem distribuidos. Eles vão para:

Angela, maninha linda (Mgá); David, maninho lindo hauhau, de RJ; Isa, Caah, Augustinho, Li e Pietra Previate, família linda de Cianorte; Amoin Mary marvelósachelósadeliciósaqueamomuito; Fabi, que tem se mostrado um cérebro em constante reformuação, estou muito contente com nossas conversas e o desenvolvimento que ela vem sofrendo, sempre aprofundando mais os nossos assuntos; pessoas queridas de Maringá (Raíssa, principalmente), de Paranavaí (Kuka, Arieska, outros), Umuarama (Deh, Jeeh, Ve, Mandinha, outros) e quem mais estiver na minha mente e eu não estou enxergando agora. ^^





P.S.: Penso também que caberia aqui embaixo a música "Canibal Vegetariano Devora Planta Carnívora", mas ae ficaria muito mais extenso.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Nem todo nonsense faz sentido...



Olá, amigos, como foi o fim de semana??
Hoje vamos falar um pouco sobre o Engenheiros do Hawaii, como já disse, minha banda favorita para estudar as letras, cheias de subjetividade. Mas primeiro, vamos ver a letra de "Sala VIP", do disco Várias Variáveis, 1991.

Não! Nem vem que não tem!

Eu não devo nada pra ninguém!
Nem vem que não tem!
Eu não devo nada pra ninguém!

Você pode falar o que bem entender
Você pode entender como quiser

Mas, não! Nem vem que não tem!
Eu não devo nada pra ninguém!


Me deixa fora dessa guerra santa

Me deixa fora dessa guerra santa

Senta a pua, quebra o pau

Manda brasa, solta franga

Sai de baixo, baixa a lenha
Manda ver, roda a baiana

Entra de sola na sala vip

Mas me deixa fora dessa guerra

Santa ignorância (haja paciência!)


Não! Nem vem que não tem!

Eu não devo nada pra ninguém!

Nem vem que não tem!
Eu não devo nada pra ninguém!


Você pode achar que não é bem assim

Você pode achar assim bem melhor

Mas, não! Nem vem que não tem!

Eu não devo nada pra ninguém!


Tô de saco cheio!!!
Chega, deu pra mim!!!
Eu não sou do meio
Sou do princípio ao fim
Eu não sou do meio
Não sou do meio termo
Quero todos os gestos ou nenhum

Todos os sons ou o silêncio total

Nada de meias palavras

De duplo sentido


"Toma lá, dá cá

Toma lá, dá cá

Toma lá, dá cá

Ninho de cobras

Cobranças

O som do gelo num copo de uísque

Uma cascavel preparando o bote"


O bote!
O bote salva-vidas

Não! Nem vem que não tem!

Nem todo nonsense faz sentido!

(Não!) Nem vem que não tem!

Nem todo sentido é obrigatório!

(Não!) Nem vem que não tem!

Nem todo sentido faz falta!

(Não!) Nem vem que não tem!

!nem toda falta de sentido é sentida!

"Uma página arrancada, um segredo mantido.
Uma passagem subterrânea sob a praça da matriz.

Uma história mal contada, uma mentira repetida.

A verdade a ver navios..."


Bem, vamos aos comentários...
Claro que ouvir a música dá uma impressão bem mais realista, pois os versos entre aspas são falados com distorção, dá a impressão de ser outra pessoa falando, "por trás da cena" (da música, algo como "verdades ocultas").

Temos, no link do título, uma pequena biografia do Engenheiros do Hawaii, onde podemos perceber muitos dos sofrimentos e acusações enfrentadas pela banda, desde fascismo até elitismo e subversão. Segue um trecho do texto, comentários de Maltz e Gessinger:

"Um ano depois do revolta os Engenheiros lançam um novo LP - Ouça O Que Eu Digo: Não Ouça Ninguém. (...) surge aí também a primeira composição de Gessinger e Licks - Variações Sobre Um Mesmo Tema . Mais uma vez a banda é alvo da crítica, desta vez em relação aos clichês subvertidos presentes nas letras de Gessinger. Aí vai a justificativa:

Carlos Maltz: Somos absolutamente fascinados por isso, frases de efeito ou sei lá como chamam. De repente, duas coisas estandardizadas como o símbolo hippie e uma engrenagem, quando juntam vão formar uma outra coisa. Essa é uma viagem da banda.

Humberto Gessinger: O que me fissura nos ditados é que são super presentes. Fico atento pra pegar essas pérolas, essas frases de caminhão. A gente subverte uma palavra no fim e já cria um efeito ambíguo. O nonsense e o abstrato são geniais, o supra sumo da cultura ocidental. Mas hoje em dia eu tenho horror da sua vulgarização. Acham que todo nonsense faz sentido, caretearam. O que a gente tenta é sair desse atoleiro de nonsense. É buscar o significado e enlouquecer, desmistificar a razão. Pegar um ditado teoricamente careta e subverte-lo."

Capa de "Ouça o Que eu Digo: Não Ouça Ninguém", de 1988.

Então, percebemos. Eles próprios admitem a utilização de elementos ocultos nas composições da banda. A exemplo do Pink Floyd, eles sofreram influências do movimento hippie, além da prórpia cultura que os rodeava (pampas, MPB, Rock, entre outras coisinhas). Na música Sala VIP dá pra ter uma noção, pois ela foi escrita em '91, quando várias críticas já haviam sido feitas e desmistificadas (as principais aconteceram em '88 e '89, anos em que o EngHaw começou a ganhar espaço na cena nacional. Depois de O Papa é Pop (1990) eles se tornaram ícones da música brasileira e decidiram, então, falar um pouco mais sobre eles. No caso de Sala VIP Humberto e seus companheiros decidem acabar com as críticas de uma vez por todas: usando a própria subversão (nos trechos distorcidos, onde temos algumas pinceladas sobre política) e algo de ironia, eles dizem quem realmente são. Algo como "isso é assim e pronto, você querendo ou não".

Isso me faz lembrar daqueles engraçadinhos dos tempos de escola, que levam tudo o que se diz "por outro lado" (seja lá qual lado for esse). Mas sempre rolavam uns comentários sacanas. E no Brasil pós ditadura (sim, seguiram-se alguns costumes até os anos de '93 e '94, não vamos negar (vide censura de Gabriel, o Pensador, em '92, na Rede Globo, ao cantar seu novo hit "Hoje eu Tô Feliz (Matei o Presidente)", quando a transmissão do programa em que se apresentava foi suspensa em todo o país) várias críticas e censuras ainda surgiam diante de alguns comentários sobre política e políticos principalmente. Pra quem conhece Engenheiros em seu início, tem muitos comentários sobre política em suas entrelinhas. Beijos pra Torcida (Guerra Fria), Toda Forma de Poder (sobre toda e qualquer forma de poder mesmo, criticando inclusive o fascismo), Fé Nenhuma (Brasil), entre outras.

Algumas vezes a gente sofre com os espertinhos da escola. Outras, porém, surgem os "subversivos" e nos fazem entender quem realmente está por cima das situações...

Como eu sempre digo, conhecimento nunca é demais. Aliás, várias pessoas sempre dizem isso. E por que será que muitos não prestam atenção, não é mesmo?

Beijos pros amigos, amigas, namorada e familiares!

Amo todos vocês!