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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Poesia Nunca se Perde

Há muito tempo (tanto tempo que já não sei quanto tempo faz) escrevi este poema, inspirado em uma pessoa. Sem focar nesta personagem da história da minha vida, e sim na escrita propriamente dita, esta foi uma de minhas obras mais harmônicas, se não a mais entre todas, e gostaria de compartilhá-la com vocês. As musas, como disse em um post há pouco passado, são a chave para a escrita e são extremamente relevantes para qualquer produção. Entretanto, quero, nesta ocasião, ressaltar não a musa, mas a escrita.

Lembrem-se de deixar um comentário, aqueles que o desejarem. Palavras, quando direcionadas a algo - e principalmente a alguém - nunca são apenas um conjunto de códigos binários dispostos em lacunas paralelas, e sim um conjunto de pensamentos vivos, estruturados e localizados em um tempo-espaço próprios, carregados dos sentimentos de quem as escreveu.

Ilúvatar esteja com vocês.

Pour Tu

Na tela vejo as letras
Correndo livres, enquanto eu
Fico aqui, sentado, pensando
No dia em que esse amor nasceu

Nem consigo me lembrar
Talvez esteja perdido
Aqui, ali, em algum lugar
Que não me seja conhecido

Mas é certo que ele existe
Porque se assim não fosse
Não viveria sem que te visse
Não correria pra onde você fosse

Enquanto eu ainda não posso
Segurar a sua mão
Escrevo poeminhas em que roço
Meu sentimento em seu coração

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Compartilhando Experiências

A poesia está intrínseca no todo, em a Natureza, e ainda mais. Por ser Arte, tem como função sensibilizar o homem à grandeza do Universo, suas faces e eventos. Cada ser, com seu ponto de vista, observa-o e traça suas próprias impressões. Ao transformar estas impressões em palavras, surge a poesia. Segue uma impressão, de um ponto de vista, de um indivíduo da casa do Universo.

METAPOESIA

Vê se te desentorta!
Pareces letra morta.
Não adormeça na falta de rima.
Acordo-te
pra algo que não imaginas...
Com teus enleios abro portas.
Vê que és matéria-prima!
Pra uma obra que não termina.
Sinto-te
imperfeita.
És, não cativa, ativa...
Conduze-me
a mundos desconhecidos,
Recônditos mais íntimos de amores perdidos,
De almas de donzelas sofredoras,
A amores sonhados.
Às vezes te confundes perdidamente com a
ciência,
Às vezes abraça-te
sutilmente a almas,
Mas, com a história te encantas, casa-te...
Atravessas com teu penetrante olhar
O mais duro dos corações...
Fizeste-te
assim... ninguém parece te entender...


Mas, sente como se em algum momento
Fizeste parte de sua vida.
Assim és – moça singela –
Letras quentes-frias
Que nos conduzem tão
longe, tão perto –
És doce-útil
Poesia.









Postado por Márcio J. de Lima em Março de 2014. Exalado ao Universo em 24/10/2008.
Disponível em http://devaneiosliterariosdolima.blogspot.com.br/2014/03/metapoesia.html

terça-feira, 18 de março de 2014

Viktoria

Dezoito horas, vinte minutos - a Lua desperta, alva
A pele branca desperta antes do Sol se por
O rubor da face inocente surge lento, com calma
A alma perdida anima o corpo com fulgor

As mãos pequenas e ágeis ajudam a pequena
A procurar, na escuridão do quarto, as vestes
Negro couro e metal bem polido
E o perfume suave, como buquê recém colhido

Os olhos, há pouco pálidos e sem vida
Agora mostram-se vivos e atentos
Não há calor, nem amor, nem alegria
Não há paz, piedade ou sentimentos

Há, porém, um brilho notável e sombrio
Que congelaria, de um homem, a alma
Que destrói coragem, força e calma
E desperta abandono, fragilidade e frio

A pequena, rápida e precisa nos movimentos
Traz a lâmina oculta e longos cabelos a voar
Viktoria rastreia suas vítimas com determinação
Enquanto corre silenciosa sob o luar

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Lírios, Lavanda e Jasmim*

Foi uma manhã como outra qualquer. Porém, o sol brilhou com uma luminosidade especial, parecia que as cores estavam mais bem definidas, eu enxergava melhor, quase podia sentir em mim aquelas cores vibrando, como em um sonho.
Vesti um shorts. um par de meias velhas e um tênis fácil de limpar, depois de perceber que parte do dia escorrera por entre meus dedos. Em poucos minutos alcanço a rodovia e, logo em seguida, a abertura na mata. O cheio de terra e folhas mortas era intenso. O barulho do vento na vegetação soava claro e melancólico. Os pneus se chocando contra a lama, contra as pedras, o aço da corrente batendo no alumínio do quadro... Pareço estar completamente integrado à paisagem - eu e minha bicicleta.
Borboletas, gafanhotos, aves e até um pequeno bando de quatis parecem parar no tempo para me ver descer a trilha em alta velocidade. Curvas, saltos, a velha ponte de madeira... Tudo fica para trás ap´pos correr diante de meus olhos. Não existe tempo ou espaço aqui. Como em um universo paralelo livre de leis físicas, me sinto livre.
Tão logo chegam os primeiros pingos de chuva as lembranças se esvaem. Os amigos, família, trabalho, estudos, até mesmo meu nome. Aos poucos tudo torna-se vazio. Somente a natureza existe; eu, não mais. A velocidade torna-se quase insuportável. Já não distinguo a paisagem. A bicicleta move-se sozinha, seguindo a rota costumeira.
Quando sinto a parada brusca percebo que não há mais bicicleta - estou completamente integrado à natureza. Inspiro profundamente, olho ao redor. Penso em erguer as mãos e olhá-las, mas não tenho mãos. Expiro. Nada além de mata, pedras, folhas, flores, pingos de chuva, ar, brisa, o canto do sabiá no alto de uma imbuia em flor.
O calor daquele dia de verão se extinguira. Também não havia frio. Só havia chuva. Inspiro. A percepção diminui, perco a consciência vagarosamente, fecho os olhos até que eu não exista para poder expirar.
Abro os olhos e vejo diante de mim um espelho, mas nada havia refletido nele senão água, peixes, plantas e pedras de rio. Realmente, eu estava dentro do rio. O som da pequena queda d'água se fez real para meus ouvidos ausentes e a pressão da água surge sobre minha pele. Aos poucos a consciência volta, tão lentamente quanto se foi.
Recordo quem sou, as bandas favoritas, os quadros que ficaram gravados na memória, os discos que fizeram parte de tantos momentos...
Percebo minhas mãos, braços, pernas. Tenho vontade de expirar. As bolhas de ar saem de meus pulmões e espalham-se, no espelho, chegando à superfície. As lembranças se colorem, o vermelho e o preto ganham destaque, abre-se um sorriso. O ar acaba, volto para a superfície e logo os pingos de chuva, o verde, o cheiro de terra, das folhas mortas e do musgo voltam a existir. Sinto a brisa tocar minha pele, inspiro novamente. Encho os pulmões e sinto a vida fluir, naquele momento, em tudo ao meu redor.
Já não estou dentro d'água. A pequena cachoeira não pode mais distorcer a imagem refletida pelo espelho, que também se faz vida. Os longos cabelos molhados pendem sobre a pele alva. Os olhos amendoados voltam-se para mim. A imagem do espelho ganha vida, forma e movimento. Aproxima-se lenta, o sorriso ainda mais iluminado. Claramente traz consigo o perfume de flores do campo. Antes que eu pudesse tomar qualquer atitude ergue os braços e estende-os à minha volta. Não vejo o movimento dos lábios, mas a voz doce e melódica ecoa em minha mente, me chamando para partir. Vejo-me agora envolto por aquela criatura, tão eu, tão única, saída da natureza num quadro surreal, inimaginável, sinto meu corpo leve, suspenso no ar, enquanto nos movíamos para longe dali. As lembranças, os gostos, os gestos, tudo se recria exatamente como sempre foi, como num sonho, como em outro universo, como numa outra vida.


*Escrito ao som da chuva, um violino distante e Coil, da banda Opeth.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Sobre as Musas Inspiradoras

Voltar a escrever exige inspiração. E inspiração assim, depois de tanto tempo, exige algum esforço. Para se obter êxito necessário se faz concentração, talvez em demasia, talvez não. Mas em meio a este vasto Universo existem seres especiais que servem para inspirar e dar vida a alguns pensamentos, pobres folhas recém nascidas das mentes criadoras de poetas, compositores, escritores, cientistas, ou apenas daquele homem que analisa o céu durante um tempo e, ao unir estrelas com linhas e agulha imaginárias, traça rotas para seus pensamentos se concretizarem dentro de si mesmo e, assim, dar sentido a sua vida, seja lá qual for (o sentido, ou a vida).

Estes seres - falemos deles - são como ... Não, não podem ser estrelas. Porque estrelas surgem no céu numa noite e permanecem lá, iluminando por anos-luz a vida dos observadores e, mesmo durante o dia, sabemos de sua presença, magnitude e poder. Sabemos também do seu poder de destruição, visto que são uma chama poderosa, incontrolável, que arde até que se acabe seu combustível. Estes seres não podem ser assim.



Também não podem ser estrelas cadentes, porque apesar de toda sua beleza, características únicas e encantamento, se vão tão rápidos quanto chegam. E também não podem ser flores, cujo perfume, por vezes inebriante, sofrem com as secas ou chuvas excessivas, acabam-se após alguns dias de magistral beleza, e só aparecem quando há condições ideais para isso.

Estes seres, porém, são como árvores. Mas não uma árvore qualquer. São grandiosos e imponentes como uma sequóia, fortes e resistentes às más condições climáticas, como as palmeiras. Existem durante gerações e mais gerações, como as Cicas, dão flores belas, coloridas, de formatos variados e e de aromas inigualáveis, sempre que desejarem, assim como as orquídeas, mas muito mais duradouras e belas.

Porém, além de todas estas características, estes seres - ou criaturas, como acharem melhor - dão algo ainda mais importante: o fruto. Um fruto que não é doce, mas agrada a todos os paladares. Um fruto que não tem suco, mas mata a sede de carinho, amizade, amor, companheirismo. Um fruto que não mata a fome, que não tem proteínas, carboidratos, lipídios, vitaminas e minerais, mas que tem sorrisos, secam lágrimas, apoiam, criticam quando oportuno, que embelezam tardes de inverno e fazem as manhãs serem mais agradáveis, por alimentar a alma.

Estes seres, tão grandiosos, ainda possuem o colo generoso de um Baobá, que recebe nos braços as nossas crianças interiores em momentos de aprendizado, de dor ou de folia, e nos sustentam calorosos, protegendo-nos contra os monstros do mundo.

Deus colocou em meus dias seres assim, e ainda surgem alguns, por vezes, me surpreendendo. Assim, risco estas linhas com gratidão, generosidade e amor, pois é graças a estes seres - estas musas, que não necessariamente são mulheres, apesar do termo genericamente feminino - que consegui tantas conquistas, tantos bons resultados, e toda a inspiração necessária para produzir meus textos, minhas brincadeiras, minhas teimosias e, até mesmo, meus maiores amores, cultivados e sustentados por toda vida.

Recebam esta singela homenagem como símbolo da nossa união. Que nossas vidas permaneçam unidas, independente da distância que exista entre nós. Deus os abençoe, meus amores.


P.S.: Que sirva, principalmente, como felicitações para a amiga Erilva, que hoje faz alguns tantos anos (muitos mais do que se possa imaginar), e que por todos estes anos tornou meus dias mais alegres, como um bônus diário de felicidade. Surgiu como um brotinho, em meio à vastidão da terra, e rapidamente cresceu e mostrou-se grande diante de mim. São 8 anos de amizade, 8 anos de aventuras imaginárias e apoio constantes. Histórias que se perdem no tempo, mas nunca serão apagadas das lembranças. Felicidades, engenheira =)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

E Hoje, o Que Será?

Agosto
Mês do cachorro-louco
Por que, então, não posso
Simplesmente dormir mais um pouco?

Antes do café, ainda
Vêm-me a inspiração
Com olhos inchados na manhã tão linda
escrevo - mera distração

Sinto os cabelos um tanto desarrumados
Sinto o agasalho me manter aquecido
Vejo homens, mulheres, humanos e desalmados
Pessoas que pensam, que salvam, ou deixam o mundo esquecido

O que dizer? - pensa o cachorro
Se estou aqui, solitário.
Todos nós, pedindo atenção, socorro
Pobres bichanos, mimos do empresário

E hoje, o que será? - diz o gatinho
Se nada poderei fazer com aquele sujeito
Ele passa o dia todo fora, fico só
Mas à noite, sei, poderei dormir em seu peito

O frio da manhã me faz delirar.
E por acaso cachorro pensa?
Como um gato poderia falar?
Acho que neste ponto só um café compensa

E o café vai me ajudar a manter a mente
Funcionando, livre, leve, gostosa
Pensante, aquecida, sistemática, fluente,
Em verso, em música, sem rima ou em prosa.

**bobagens das primeiras horas da manhã**

*Texto motivado pelas conversas literárias com o amigo Lima (http://devaneiosdolima.blogspot.com).

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Coisinhas à Toa, Ela e Meus Dias Simples


Um dos textos mais simples e mais belos que já vi. Li, pela primeira vez, intitulado como "Coisinhas à Toa", quando ainda criança. Nunca me esqueci destas palavras. E, num momento simples e belo de minha vida, ofereço estas coisinhas à toa pra Ela:

Passarinho na janela
Pijama de flanela
Brigadeiro na panela

Gato andando no telhado
Cheirinho de mato molhado
Disco antigo sem chiado.

Pão quentinho de manhã
Drops de hortelã
O grito do Tarzan.

Tirar a sorte no osso
Jogar pedrinha no poço
Um cachecol no pescoço.

Papagaio que conversa
Pisar em tapete persa
Eu te amo e vice-versa.

Vaga-lume aceso na mão
Dias quentes de verão
Descer pelo corrimão.

Almoço de domingo
Revoada de flamingo
Herói que fuma cachimbo.

Anãozinho de jardim
Lacinho de cetim
Terminar um livro assim.

Otávio Roth. Duas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz. São Paulo: Ática, 1994.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Insônia


Olá, queridos. O que posso dizer da última noite? Foi estranhamente interessante. Não foi boa, de fato, mas convenhamos que foi produtiva e que, hoje, acordei estranhamente inspirado para produção literária. Acho que é um bom dia pra fazer um daqueles testes da Universidade de Cambridge sobre Psicologia.
Quanto à produtividade, segue aí meu mais novo poema, feito enquanto rolava na cama, sem conseguir dormir.

INSÔNIA

Cá estou eu, fora de hora, fazendo o que não devia
Ou, ao menos, não fazendo o que devia.
Mas, de certo, como saber se podia ou não traçar estas linhas?
Acontece que já tarda a noite, e logo chegará o dia.

Insônia, sua insolente! Por que me abres os olhos nesta noite
De flashes ininterruptos, de vento constante?
Ouve só o barulho. Que será? Uma besta uivante?
Gemidos, rangidos, grunhidos, talvez. O vento lá fora se mostra

A casa, para mim, é nova. A cidade também.
Como poderia eu conhecer os sons que a madrugada tem?
O vizinho mequetrefe deve ter esquecido
Mas a TV ilumina a sala e o som incomoda meu ouvido

Sirenes, gritos, em um tipo de aventura policial
Resultarão, bem sei, em meu desgosto matinal
E o cão, que de longe brada, coitado
A tantos incomoda, tenho certeza, mas em que parada
Se encontra o nobre amigo? Não na estrada, nem perto de minha janela
Não incomodaria se persistisse latindo, ou mesmo se tivesse uivado

O vento segue em sua prosa, me lembrando tempo antigo
Memórias de infância, de locais, e da vontade de ter dormido
Aqui perto, bem perto, me parece, alguém arrasta algum objeto
Ou fecha uma janela ou puxa ferro sobre o concreto

Mas por que, justo hoje, haveria de ser assim?
Em meio à madrugada já tentei tantas coisas, mas acabo, enfim
Deitado, a cabeça reclinada sobre o travesseiro e o computador no colo
Amanhecerei certamente com alguma dor. Então, imploro
Cala-te, noite, para que eu descanse, pois logo chegará o dia
E terei de caminhar, ler, correr, será uma correria sem fim

Assim, eu sei, terei problemas, então peço
Por favor, noite amiga, permita-me descansar
Amanhã, no novo dia, preciso muito trabalhar
Colabore, e leve-me, Orfeu, ao teu Sonhar
E encerro meu dia pois, agora nesta linha, deste mundo me despeço.

É isso aí. Apesar da noite "mal dormida" acordei bem, feliz e inspirado. E, agora, vamos para algumas atividades aleatórias do dia. Até breve para, quem sabe, mais um texto neste belo dia fresco de céu azul.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

E Daí?


Eu me pergunto - e daí?
O tempo passa, os dias vêm e vão. “Vão os anéis e ficam os dedos”, “vão os dedos e ficam os anéis”. “Eu não sou um bom lugar”. “Ouça o que eu digo: não ouça ninguém”. Sinceramente? Não sei. Não sei o que está certo, não sei o que está errado. Sei aquilo que vejo, que é ponderável. Sei aquilo que se mostra verdadeiro, e não intocável. Meias palavras, subversão, duplo sentido, nada disso basta quando tudo o que se quer é um pouco de quase-nada. Depois de um café Solitário-Simples-Sem-Açúcar fico aqui pensando em quanto falta pra esse quase-nada. Aliás, o que é esse quase-nada? Talvez seja um quase-nada tão grande que eu nem consiga imaginar. Talvez seja tão simples que eu já consegui. Talvez seja tão complexo que eu nunca chegue a conquistar. Ou, talvez, seja tanta coisa que, de uma só vez, seja impossível conseguir mas, com persistência, dedicação e devoção, eu chegue aonde quero muito mais rápido - e em melhores condições - do que eu imagino que possa. Talvez uma xícara de café ajude a manter a calma até que chegue o dia, que não demorará, eu sei. Eu sei. Enquanto ele não chega, aproveito a rara qualidade no sinal de celular pra te ligar 30x por dia, só pra dizer que estava com saudade.

As Brumas e Você

7h28. Hoje está frio. Puxo o edredom para cobri-la melhor, dou-lhe um beijo suave, cuidando para que não desperte. Me arrumo em silêncio, giro a chave na porta cuidadosamente. Não percebo as brumas que dominam o ambiente. Quando me viro, logo após trancar a porta, ainda cego pelo sono, julgo que meus óculos estão sujos. Retiro a armação de lentes negras e tento limpá-las. Caminho de cabeça baixa, com os olhos semicerrados, até o portão e, quando me dou conta, não consigo enxergar a outra margem da rua. A névoa dominou todos os espaços.
Ah, como eu amo esta paisagem! Não. Amo as brumas. A paisagem é praticamente imperceptível, já que está quase totalmente encoberta. Como numa cidade fantasma, sinto meu corpo arrepiar pelo frescor matinal, mas também pela emoção de estar em um momento tão... indescritível. Não consigo dizer por que me sinto tão encantado pela neblina. Mas, bem sabes, meu amor, ela me fascina.
Olho de volta para a casa, penso em acordá-la para que possa desfrutar deste momento junto a mim. Um momento especial, relativamente difícil de se ver. Mas não posso. Não posso pensar em interromper seu sono, seu momento de repouso. Unir a pessoa a quem mais amo a um momento de harmoniosa admiração da natureza seria perfeito, mas, não posso. Não posso pensar em fazer algo que tire de você este momento prazeroso, assim como qualquer outro.
Sigo meu caminho. Deixo-a para trás. Levo comigo as gotículas de água suspensas no ar denso da manhã enevoada. caminho pelas ruas, sinto tocar minha pele as gélidas e pequeninas frações liquidas, como um perfume que se espalha, como o pólen minúsculo carregado pelo vento, como o aroma do café que você prepara, como o cheiro do seu corpo que domina o quarto com sua presença.
Deixo-a. Pode parecer egoísta, caminhar sozinho pela cidade em um momento em que ela oculta suas linhas, seus corpos, e se enche de mistérios, mas não. Fiz isso pensando em seu bem-estar. Fiz isso porque dentro de mim, no mais íntimo de meus pensamentos, encontro a certeza de que este não será o último momento. Não será a última oportunidade. Fiz isso porque dentro de mim tenho a certeza de que podemos construir um caminho que nos leve a muitos outros lugares, a muitas novas oportunidades, e que inclusive nos leve para um lugar onde as brumas estarão à mercê de nossas vidas, para que juntos possamos desfrutar desta beleza natural em um momento mais propício, você e eu, num dia qualquer, vivendo nosso amor.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Cinnamon Girl

HOJE É DIA DE ANIVERSÁRIO =D


E pra comemorar, vai um poeminha...





Um dia andando pela rua
Olhei através de uma janela
Vi em cima do balcão
Um potinho de canela

Anteontem, no almoço
Fizemos carne de panela
E para sobremesa
Abacaxi com canela

Numa noite de cinema
Compramos pipoca na Fiorella
Eram vários os sabores
Manteiga, queijo, maçã com canela

Pelas ruas, caía a chuva
E eu parei diante dela
E no beijo pude sentir
O aroma de canela

=]

Um feliz aniversário para milady Erilva Machado, imperatriz das Terras Quentes, que participa de vários dos meus sonhos, nas buscas incessantes pela noite, nos diversos mundos onde nos encontramos.
Dona de um Amor puro, capaz de encantar a qualquer um que esteja sob a luz dos seus olhos.

Kussen, lichtgestalt!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

O Tempo Não Pára

E então me peguei pensando sobre o tempo. Que é o tempo? Perguntado a Santo Agostinho, ele disse "Quando não me perguntas sobre o tempo, eu sei o que é o tempo. Quando me perguntas sobre o tempo, eu nada sei sobre o tempo." Convenção humana, é fato que a natureza segue em ciclos rumo ao fim do mundo, tal como o conhecemos hoje. Séculos se passam, eventos geológicos e astronômicos se repetem.
Que é isso que diz que a Lua a cada ano afasta-se 5cm da Terra? E esse lance de o Sol estar morrendo, de nossos primeiros planetas serem tragados pela sua força final e de 2012 representar o fim do calendário Maia?O que significa dizer que os pântanos de Everglades estão no final de um período estacionário em sua atividade e que a qualquer momento aquilo tudo (que hoje é o maior vulcão em atividade do mundo, dezenas de vezes maior que os demais) pode explodir, causando um impacto incalculável à natureza terrestre? Como é isso de dizer que nós estamos em um período intermediário a uma e outra era glacial?

De fato, há muitas coisas a se esperar com o tempo. Nós o usamos para garantir uma ação prévia, mesmo que psicológica, de preparo, de socorro, prevenção, algo que nos faça lembrar de quantas coisas nós nos safamos, fazemos ou não, etc.
O nosso cérebro, assim como de outros animais, marca o dia de acordo com a posição do sol, temperatura, direção do vento. Sensações de fome, sono, euforia, mudam de acordo com o período pelo qual passamos.

Ontem, porém, conversei com um senhor, creio eu próximo dos 60 anos de vida, se não mais, que estava a preencher um documento para mim. Ele me fitou durante alguns segundos e então me perguntou: "Em que mês estamos?"
Obviamente ele não estava com problemas de memória. Pensei, então, buscando entender o motivo de não ter-se preocupação com o tempo, com o que ele representa. Afinal, há tantas coisas na vida que nós não fazemos por falta de tempo. Muitas vezes me justifiquei assim. Crime! Para que culpar quem nem mesmo existe? A culpa, porém, torna-se real por comprometer aquilo que deveria ser e não foi. Tudo aquilo que se postou diante de nós e foi renegado por comodismo, por desinteresse, por baixa auto-estima, por orgulho, egoísmo, vingança, autopiedade, indiferença ou qualquer outra podridão que tenha partido de nossas almas impuras.

Portanto, analisemos essa música, de autoria diversa, cantada por Cazuza e Frejat, no querido Barão Vermelho:

O TEMPO NÃO PÁRA


Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou o cara
Cansado de correr na direcao contraria
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara

Mas se voce achar que eu to derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não pára

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão da caridade de quem me detesta
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára

Eu não tenho data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulha no palheiro

Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros

Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro

A tua piscina ta cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára



















É por essas e outras que a vida está como está
E eu hoje, 09 de abril, tenho um motivo pra chorar.
Faleceu ontem à noite Ivo Rodrigues Jr., vocalista da banda curitibana Blindagem, sucesso nacional dos anos 80. Ivo foi considerado o melhor cantor do Sul, em '66, formou a banda em '69 e desde então os carinhas vinham fazendo suas poucas apresentações em Curitiba apenas. Ivo era o tipo de cara brincalhão, piadista e sempre acompanhado de seu violão despertava-me a curiosidade de conhecê-lo. Esperei demais. Meu tempo acabou e agora fica minha estima a essa pessoa e o desejo de encontrá-lo, daqui há alguns anos, melhor do que estava em seus últimos dias aqui em nossas terras frias. Descanse em paz, Ivo!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Um sujeito e sua oração

"Sem horas e sem dores
Respeitável público pagão
Bem vindo ao teatro mágico!
Sintaxe a vontade...

Sem horas e sem dores, respeitável público pagão!
A partir de sempre toda cura pertence a nós.
Toda resposta e dúvida!
Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser.
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto.
Nenhum predicado será prejudicado, nem tampouco a vírgula, nem a crase, nem a frase e ponto final! Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas...
E estar entre vírgulas é aposto. E eu aposto o oposto que vou cativar a todos sendo apenas um sujeito simples, um sujeito e sua oração. Sua pressa e sua prece.
Que a regência da paz sirva a todos nós... Cegos ou não, que enxerguemos o fato de termos acessórios para nossa oração, separados ou adjuntos, nominais ou não.

Façamos parte do contexto da crônica e de todas as capas de edição especial.
Sejamos também o anúncio da contra-capa! Mas ser a capa e ser contra-capa é a beleza da contradição. É negar a si mesmo. E negar a si mesmo é muitas vezes, encontrar-se com Deus...
Com o teu Deus...



Sem horas e sem dores, que nesse encontro que acontece agora cada um possa se encontrar no outro e que o outro possa se encontrar no um. Até porque tem horas que a gente se pergunta...


POR QUE É QUE NÃO SE JUNTA TUDO NUMA COISA SÓ??




E eu me pergunto como pode a poesia de um único homem influir tanto no mundo, fazer com que tantas pessoas vibrem em um mesmo ideal... Na verdade, minha dúvida não é quanto a isso, mas sim quanto a como as pessoas podem, ao ver uma situação como esta, ao observar a realidade d um homem como Fernando Anitelli, como Humberto Gessinger, como Cazuza, Renato, Raul, Bono e tantos outros que atraem multidões, todos de alguma forma indagando as populações sobre a vida, sobre a verdade, sobre o mundo, podem insistir em continuar negando toda essa influência.
Como alguém pode querer transformar tudo isso em coisas distintas, enquanto é óbvio a proximidade entre todos, entre tudo, a tal ponto que juntar tudo numa coisa só seria praticamente o óbvio por si só... E assim me pergunto, com tantos mensageiros do Cristo em nosso meio, disfarçados de "simples" músicos ou artistas, poetas, escritores, além da palavra do Mestre perpetuada no mundo pela pregação de seus apóstolos daquele tempo, retransmitida ao homem de hoje de tantas maneiras (várias enganadoras e com propósitos degradantes, além das inocentes interpretações das palavras de Jesus por mentes ainda infantis) como podem alguns negarem-lhe a existência, a sabedoria e a pureza?


Da mesma forma que Hitler conduziu multidões, Jesus nos convida a segui-lo. "Vende seus bens, distribua o lucro aos necessitados, vem e segue-me". Obviamente não vamos virar peregrinos em pleno século XXI e viver mendigando por aí. Apenas deveríamos pensar um pouco mais, respeitar um pouco mais, sentir um pouco mais e viver um pouco mais a beleza que é ser cristão.


O que vemos hoje é uma sociedade rancorosa, melindrosa, que ofende e se ofende por qualquer bobagem, que rouba, que mata, que corrompe, que desvia, disfarça, devassa, as mais absurdas falcatruas.


E A PREFEITURA QUE CENSUROU O CQC NO PROGRAMA DA SEGUNDA, QUE VERGONHA! DEFENDENDO A DIRETORA DA ESCOLA MUNICIPAL QUE GANHOU DO PROGRAMA A TV NOVINHA E QUE FOI RASTREADA POR UM GPS, COMPROVANDO SUA PRESENÇA NA CASA DA DIRETORA EM VEZ DE NA ESCOLA! QUE VERGONHA!


Pensar, pensar. Esta a chave para o conhecimento. A reflexão sobre o mundo, sobre a vida, sobre nossos atos, sobre os atos do próximo, não enquanto juízes, mas enquanto aprendizes do que se deve ou não fazer. Seguir a ética é fácil: faça tudo aquilo que desejaríeis que vos fizessem. Jesus, gente! Percebam que eu não estou falando de religião, mas sim sobre RELIGIOSIDADE, coisa que muitos "religiosos" não tem.


Sinto falta daqueles filósofos que falavam todas aquelas coisas bonitas no passado. Mas as vezes me pergunto se eles não seriam todos amontoados como uma coisa só e colocados de lado, tal como foi/está sendo feito com tantos outros...


Beijos a todos!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Ilex paraguariensis

Olá, queridos amigos viajantes das highways infinitas pelo universo paralelo da imaginação.
Hoje quero postar uma música para uma pessoa muito especial.
Milady Erilva, imperatriz das terras quentes do nordeste pediu-me um comentário sobre algumas canções dos Engenheiros, querendo entender meus pensamentos. Acontece que esta música é algo como um refúgio mental para mim. Basta o stress chegar e, cantando-a, imagino as cenas acontecendo, seja comigo, seja com o próprio Humberto Gessinger. Posso ver os detalhes: a garrafa térmica na mesa, a cuia na mão, a porta aberta e a suave neblina subindo cedo do campo que se estende para os morros, onde a grama verdinha floresce, molhada pelo sereno... A única sensação é a solidão, que nesse instante é sinônimo de segurança, de conforto - mesmo que a solidão resulte em um corpo de mulher de curvas perfeitas, deitado sob o edredon no quarto ao lado, repousando após uma noite calorosa. Porém, aquele momento é o da solidão e o único companheiro é o calor do mate quente descendo pela garganta, forrando o estômago e saciando a sede noturna.
Então, mesmo não sendo exatamente o pedido de Eri, vamos à música:

Ilex paraguariensis

Hoje eu acordei mais cedo, tomei sozinho um chimarrão
Procurei a noite na memória... Procurei em vão
Hoje eu acordei mais leve (nem li o jornal)
Tudo deve estar suspenso... Nada deve pesar

Já vivi tanta coisa, tenho tantas a viver
Tô no meio da estrada e nenhuma derrota vai me vencer
Hoje eu acordei livre: não devo nada a ninguém
Não há nada que me prenda

Ainda era noite, esperei o dia amanhecer
Como quem aquece a água sem deixar ferver
Hoje eu acordei, agora eu sei viver no escuro
Até que a chama se acenda

Verde... Quente... Erva... Ventre... Dentro... Entranhas
Mate amargo, noite adentro, estrada estranha

Nunca me deram mole, não (melhor assim)
Não sou a fim de pactuar (sai pra lá)
Se pensam que tenho as mãos vazias e frias (melhor assim)
Se pensam que as minhas mãos estão presas (surpresa)

Mãos e coração livres e quentes: chimarrão e leveza
Mãos e coração, livres e quentes: chimarrão e leveza

... Ilex paraguariensis...
... Ilex paraguariensis...


É como um grito de liberdade, sinto-me como fazendo parte da natureza ao cantar essa música. Como se nada que estivesse ao meu alcance pudesse me ferir, pois o mundo está à minha volta e me protege de qualquer mal. Há uma sensação de segurança, de leveza... Simplesmente difícil explicar. É a imaginação fluindo de leve e atingindo o mais profundo abrigo dentro da alma.

E 2010, de certa forma, começou assim, pra mim - leve, como brisa, com ar de liberdade, de "não dever nada" e estar sem nada me prendendo. Os planos para este ano já sofreram algumas modificações. Aconteceram coisas pelas quais eu não esperava, reações que temia e que me forçaram a replanejar meus próximos dias. Espero que aos poucos os novos planos possam se encaixar no meu dia-a-dia sem prejudicar nada.

Enfim, minha formatura está chegando e quem me conhece sabe o quanto estou ansioso. Há diversas coisas que estou esperando para o dia 30 de janeiro, entre elas, obviamente, minha formatura. Mais especial, porém, serão duas visitas que receberei:


Uma é a Annieli, menina que não tenho nem palavras para descrever. Alguém que merece todo respeito e consideração. Certamente de minha parte (e de meu pai, seu fã #1) ela tem muita confiança. =D













A outra visitante é a Isabela. Dessa também não tenho muito que falar - sua presença e meus olhos já falam o necessário. Estou muito feliz por sua presença nesse dia tão importante e também pelo fato de ela ter aceitado a proposta de ser minha madrinha. ¢.¢

Só vai faltar mesmo milady Eri, que infelizmente (ou não) está longe demais. Mas o tempo que resolve todas as coisas certamente nos dará as oportunidades necessárias para corrigirmos o que ainda fica suspenso ente nós.



Beijos a todos que passarem por aqui para partilhar de minha alegria!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Anjos da Noite

Nazgûl em floresta de Mordor

O pôr do Sol...
O ínício da Noite.
Chegada da Mãe-Lua...
Tempo dos Anjos da Noite levantarem e saírem em busca dos seus...

Saírem em busca do seu perdão, de perdoar...

Em busca de caça, em busca de calor...

Em busca de outro Anjo...

Que junto a ele deseje justiça

Que junto a ele, faça a justiça

E que junto a ele, se torne cada vez mais anjo


Um demônio, alguns diriam

Mas nada além de um pobre-diabo

Mais um sofredor, que conhece seus erros

E luta por repará-los
O frio da noite chega
As roupas já não são o suficiente

Esse frio é diferente, é mais forte
Mais frio que qualquer frio de qualquer lugar


O Anjo da Noite já não sente mais o frio

O frio que o arremata é um frio interior

O frio de sua alma

O frio de seu pensamento


Mas seu coração é quente

E isso permite que ele viva

Viva e volte sempre

Em busca da razão

Em busca da verdade

Em busca de uma solução

Pra acalmar seu coração e desmentir essa realidade


A realidade fria, forte, triste

De um mundo injusto e sem caráter

Mas o Anjo da Noite, esse sim luta por tudo isso

A cada conquista, a cada vitória

A esperança que aumenta, aqui e agora

Pra recomeçar e jamais desistir

Porque a vitória não tarda


Tão logo o dia volte

O Anjo da Noite adormece

Dormindo junto da dor
Essa que jamais se esquece


Depois, num novo anoitecer

Ele voltará a ser o que era

Buscando seu corpo, seu calor

Alimentado pela força que a Lua libera
Um Anjo da Noite habitante das planícies frias da Europa


Poema escrito já há alguns séculos. Se não me engano foi em 1007. Linguagem pobre, não se compara com qualquer criação mais recente. Seria como comparar Frankenstein e Dolly (não pense muito pra não quebrar o raciocínio...). Foi o primeiro de alguns tantos que escrevi com temas ligados ao goticismo, à noite, vampiros, etc.
Vampiro - representação em grafite.

Logo quero postar aqui meu primeiro conto, assim como minhas crônicas. Estou a reuni-las e, após organizadas, escreverei ainda mais. Porém não quero lançá-las assim, ao mundo, sem antes ter registro delas, afinal, são minhas criações de momentos em que a inspiração fluiu com maior facilidade.
Interessante como se dá o processo de criação. Um dia, por algum motivo, sentimo-nos com vontade de escrever e pronto. Uma caneta, um lápis, um caderno, rascunho, o verso do seu último holerich... Qualquer coisa serve. Basta marcar ali, na folha, os pensamentos que surgem como a água surge dos céus, leve, livre, sem explicação direta. Apenas a sensação de que se deve escrever, mais e mais, até concluir seu raciocínio.
É assim que escrevo, com paciência, até que todo o pensamento se esvai. Na fila do banco, na minha cama, na faculdade... Quando Galadryel e seus companheiros me chamam e a poesia está no ar, lá se vai mais uma página do bloquinho de notas. E no final é como a satisfação de uma noite bem dormida, de algumas horas de carinho intenso com seu amor, de uma tarde sentado num gramado, à beira de um lago, ouvindo uma música agradável.

Bem, é isso por hoje. Pra não alongar demais a conversa.
Ontem fui no MUDI da UEM, mto legal. Museu de antropologia é mto bom! ^^
Quero voltar.



Beijos e abraços. E comam queijo, vocês ingerem pouco cálcio - e isso não é uma suposição. É para todos!

Jimmy Cuervo, Jimmy Crow, O Corvo...