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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Trocando em miúdos

É engraçado com as vezes a gente se "apaixona" por algumas pessoas, o que, a princípio, é algo inimaginável. Por exemplo, uma garota que eu vejo volta e meia. Ela é simplesmente fascinante. Nada demais, se comparando a outras (inclusive mais velhas) que se vê por aí. Mas ela, em especial, chama muito a atenção.

Homem é uma coisa séria, não é mesmo? As vezes me questiono sobre os meus sentimentos e acabo definindo-os muito bem, mas sempre há uma graaande complicação na parte de "como" você sente, o que é bem diferente de "o que" você sente.

Ahh. Vamos parar com os devaneios, pq isso é coisa pra Liih_Amoriim. AHEuhaeuhaeuhae.

Continuando (inevitável), no Formspring me perguntaram o seguinte: "vc tá com alguém?"
Como assim, eu estou com alguém? Em que sentido? Se há alguém especial na minha vida? Sim! Todos os meus amigos! Se há alguém que eu ame muito? De certo! pais, amigos, primos, irmãos... E se há uma mulher que me desperte um sentimento diferenciado, sim. Também há. Mas não iria responder tudo isso, então cito esta música, do Engenheiros do Hawaii, gravada no disco Minuano (1997):

Humano Demais

De tudo que é humano nada me é estranho
Se o mar não tá pra peixe desse tamanho
Eu não esquento, eu não me iludo
Eu troco em miúdos o primeiro toque
!E nada pode ser maior! ...

De tudo que é humano nada me é estranho
Fruto e semente... Criatura e criador
As curvas da estrada... As pedras no caminho
Os filmes de guerra e as canções de amor
!Nada pode ser maior! ...

De tudo que acontece nada me surpreende
Tudo me parece !tão normal!
Um big mac... Maktub...
Drops de Deus... Filosofia fast-food
!Nada pode ser maior!
Não é ciência exata, não acontece em tempo real
É demais! Humano demais!
Não é ciência exata, não acontece em tempo real
É demais! Animal!
Agora somos só nós dois: eu e minha circunstância
Sempre foi só nós dois: eu e minha circunstância
Sempre só nós dois: eu e eu e eu e eu e eu...
Não é ciência exata, não acontece em tempo real
É demais! Humano demais!
Não é ciência exata, não acontece em tempo real
É demais! Animal!

...não é ciência exata...
...não é ciência exata...
...não é...nada pode ser...
Maior!

Poxa, essa música que diz tanto em tão pouco, que diz tudo e ao mesmo tempo nada, só nos faz refletir e chegar às mais diversificadas e misteriosas conclusões.
Eu, por exemplo, poderia muito bem estar ao lado de alguém em especial, mas, como dito, estamos juntos apenas eu e minha circunstância.


Seguindo nas curvas do caminho, quem pode, sabe onde me encontrar. Quem não encontra é por pura falta de vontade.


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Pronto. Não tem mais desculpa, né?


Beijos a todos!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Coração Blindado

Para milady Erilva, mais uma canção dos Engenheiros do Hawaii. Interessante que sobre esta canção eu não pensara antes de maneira crítica, quer dizer, não a avaliei psicologicamente ainda. No entanto se faz mais uma canção do EngHaw que mostra a nossa realidade. Algumas vezes penso que vou entrar em depressão por ter ao meu redor - e conseguir perceber - toda essa realidade, enquanto tantos há que não se dão conta do que dizem nossos poetas. Não apenas no caso de Engenheiros do Hawaii, mas também Legião Urbana, Cazuza, Cássia Eller, Rita Lee e os Mutantes, Ney Matogrosso, Pedro Luís e a Parede, Pitty, Lou, Titãs, Paralamas e outros. Lembrando que estamos citando apenas os brasileiros. Se formos pra Argentina já será uma completa Revolução, tal como o próprio Revolução por Minuto desejava fazer em seu tempo. Quem entende as palavras de cada um desses homens? Quem entende o grito, o sussurro, a frase de guitarra ou a base agressiva do baixos? Quem entende as viradas na bateria ou a leve percussão ecoando no fundo da melodia? Poucos... Vamos a mais uma.

Fácil falar
Fazer previsões depois que aconteceu
Fácil pintar o quadro geral
Da janela de um arranha-céu

Sem ter que sujar as mãos
Sem ter nada a perder
Sem o risco de pagar pelos erros que cometeu

Fácil achar o caminho a seguir
Num mapa com lápis de cor
Moleza mandar a tropa atacar
Na tela do computador

Sem o cheiro
Sem o som
Sem ter nunca estado lá
Sem ter que voltar pra ver o que restou

Com a coragem que a distância dá
Em outro tempo em outro lugar
Fica mais fácil

Fácil demais
Fazer previsões depois que aconteceu
Fácil pensar nas condições ideais
Que nunca existirão

Sempre à distância
Sem noção
O que rola pelo chão
Não são as peças de um jogo de xadrez

Com a coragem que a distância dá
Em outro tempo em outro lugar
Tudo é tão fácil


É como conversar via MSN. O que se diz? O que se pensa? Com toda a blindagem que um monitor e um cabo de rede nos concedem, fica fácil ir a qual lugar, falar com qualquer um, fazer qualquer coisa. Sabe aquele amigo chato que faz despertar a vontade de mandá-lo fazer aquele tipo de coisa indesejável a qualquer um? Faz-se via MSN sem peso na consciência. E caso a culpa se mostre, tudo bem. Criamos um "Fake", invadimos um perfil e fazemos um estardalhaço.

Dizer a alguém em um fim de conversa "Te amo" fica tão fácil quanto dizer "Bom dia!". E o real significado disso tudo simplesmente perde-se por aí, fica esquecido, abandonado. Daqui a um tempo os filósofos (se é que ainda existem filósofos por ai) vão ter que acrescer à expressão um algo a mais, para demonstrar a verdadeira expressão dos sentimentos, porque dizer a alguém que está a amar vai ser como dizer que tem sede.

Seria bom se começasse a se pensar sobre algumas dessas coisas, pois o sentimento - não mais o sentimentalismo, porque hoje em dia isso é coisa de velho ou "boiola", como dizem - está se acabando. À distância, conforme nos ensina a TV (de televisão, ou visão à distância), há coragem, poder e vontade de se fazer tudo. Porém eu quero ver quem terá coragem de chegar em seu amado, olhá-lo nos olhos e dizer o que sente, o que o incomoda, olhar nos olhos do inimigo e dizer que o perdoa (isso poucas pessoas têm de fazer; não de olhar, mas de perdoar), olhar nos olhos de seus pais, filhos e demais parentes, amigos, aquele vizinho desconhecido, e dizer sinceramente "Tenha um bom dia", "Eu amo você", "minha vida é ao seu lado", "Obrigado por sorrir pra mim, por me fazer feliz, por mudar o meu humor no dia de hoje". Quase ninguém tem coragem.

Assim como ninguém tem coragem de seguir a lei e não ouvir música alta após as 22h, em frente a hospitais, não estacionar na vaga para deficientes (quando não se é deficiente), furar fila, gritar ao celular, brigar com a esposa, sonegar impostos, desviar verbas e bens públicos, furar um sinal vermelho.............. (lista infindável de coisas que o ser humano faz e nem se dá conta de quanto pode prejudicar o resto do mundo, resultando em sua própria desgraça).

O que se perde quando os olhos piscam?
Saudades, Eri. Espero que tenha servido pra alguma coisa ;)








Saudades da Isa. (LL)
Lichtgestalt, in deren Schatten ich mich drehe...

domingo, 24 de janeiro de 2010

Ilex paraguariensis

Olá, queridos amigos viajantes das highways infinitas pelo universo paralelo da imaginação.
Hoje quero postar uma música para uma pessoa muito especial.
Milady Erilva, imperatriz das terras quentes do nordeste pediu-me um comentário sobre algumas canções dos Engenheiros, querendo entender meus pensamentos. Acontece que esta música é algo como um refúgio mental para mim. Basta o stress chegar e, cantando-a, imagino as cenas acontecendo, seja comigo, seja com o próprio Humberto Gessinger. Posso ver os detalhes: a garrafa térmica na mesa, a cuia na mão, a porta aberta e a suave neblina subindo cedo do campo que se estende para os morros, onde a grama verdinha floresce, molhada pelo sereno... A única sensação é a solidão, que nesse instante é sinônimo de segurança, de conforto - mesmo que a solidão resulte em um corpo de mulher de curvas perfeitas, deitado sob o edredon no quarto ao lado, repousando após uma noite calorosa. Porém, aquele momento é o da solidão e o único companheiro é o calor do mate quente descendo pela garganta, forrando o estômago e saciando a sede noturna.
Então, mesmo não sendo exatamente o pedido de Eri, vamos à música:

Ilex paraguariensis

Hoje eu acordei mais cedo, tomei sozinho um chimarrão
Procurei a noite na memória... Procurei em vão
Hoje eu acordei mais leve (nem li o jornal)
Tudo deve estar suspenso... Nada deve pesar

Já vivi tanta coisa, tenho tantas a viver
Tô no meio da estrada e nenhuma derrota vai me vencer
Hoje eu acordei livre: não devo nada a ninguém
Não há nada que me prenda

Ainda era noite, esperei o dia amanhecer
Como quem aquece a água sem deixar ferver
Hoje eu acordei, agora eu sei viver no escuro
Até que a chama se acenda

Verde... Quente... Erva... Ventre... Dentro... Entranhas
Mate amargo, noite adentro, estrada estranha

Nunca me deram mole, não (melhor assim)
Não sou a fim de pactuar (sai pra lá)
Se pensam que tenho as mãos vazias e frias (melhor assim)
Se pensam que as minhas mãos estão presas (surpresa)

Mãos e coração livres e quentes: chimarrão e leveza
Mãos e coração, livres e quentes: chimarrão e leveza

... Ilex paraguariensis...
... Ilex paraguariensis...


É como um grito de liberdade, sinto-me como fazendo parte da natureza ao cantar essa música. Como se nada que estivesse ao meu alcance pudesse me ferir, pois o mundo está à minha volta e me protege de qualquer mal. Há uma sensação de segurança, de leveza... Simplesmente difícil explicar. É a imaginação fluindo de leve e atingindo o mais profundo abrigo dentro da alma.

E 2010, de certa forma, começou assim, pra mim - leve, como brisa, com ar de liberdade, de "não dever nada" e estar sem nada me prendendo. Os planos para este ano já sofreram algumas modificações. Aconteceram coisas pelas quais eu não esperava, reações que temia e que me forçaram a replanejar meus próximos dias. Espero que aos poucos os novos planos possam se encaixar no meu dia-a-dia sem prejudicar nada.

Enfim, minha formatura está chegando e quem me conhece sabe o quanto estou ansioso. Há diversas coisas que estou esperando para o dia 30 de janeiro, entre elas, obviamente, minha formatura. Mais especial, porém, serão duas visitas que receberei:


Uma é a Annieli, menina que não tenho nem palavras para descrever. Alguém que merece todo respeito e consideração. Certamente de minha parte (e de meu pai, seu fã #1) ela tem muita confiança. =D













A outra visitante é a Isabela. Dessa também não tenho muito que falar - sua presença e meus olhos já falam o necessário. Estou muito feliz por sua presença nesse dia tão importante e também pelo fato de ela ter aceitado a proposta de ser minha madrinha. ¢.¢

Só vai faltar mesmo milady Eri, que infelizmente (ou não) está longe demais. Mas o tempo que resolve todas as coisas certamente nos dará as oportunidades necessárias para corrigirmos o que ainda fica suspenso ente nós.



Beijos a todos que passarem por aqui para partilhar de minha alegria!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Alívio Imediato

Post especial para milady Erilva, Imperatriz das terras quentes, a seu pedido. Espero que ajude a esclarecer algumas coisas. ;)

Esta pequena canção já teve várias versões e eu vou tentar mesclar alguns versos tentando não perder aquilo que for original.

O melhor esconderijo, a maior escuridão
Já não servem de abrigo, já não dão proteção
A Líbia bombardeada, a libido e o vírus
O poder, o pudor, os lábios e o batom

O melhor esconderijo, a maior escuridão
Já não servem de abrigo, já não dão proteção
Holofotes que iluminam a libido e o vírus
O poder, o pudor os lábios e o batom

Há um muro de concreto entre nossos lábios
Há um muro de Berlim dentro de mim
Tudo se divide todos se separam
A diferença é o que temos em comum

Que a chuva caia como uma luva, um dilúvio um delírio
Que a chuva traga alivio imediato
Que a noite caia de repente, caia tão demente quanto um raio
Que a noite traga alivio imediato

Não há nada de concreto entre nossos lábios
Só um muro de batom e frases sem fim
Holofotes nos meus olhos cegam mais do que iluminam
Nem caiu a ficha e já caiu a ligação

Há espaço pra todos, há um imenso vazio
Nesse espelho quebrado por alguém que partiu
A noite cai de alturas impossíveis
E quebra o silêncio e parte o coração

Há um muro de concreto entre nossos lábios
Há um muro de Berlim dentro de mim
Tudo se divide, todos se separam
Duas Alemanhas, duas Coréias
Tudo se divide, todos se separam

Que a chuva caia como uma luva, um dilúvio um delírio
Que a chuva traga alívio imediato
Que a noite caia de repente, caia tão demente quanto um raio
Que a noite traga alívio imediato


Observa-se uma grande sensação de desconforto com a realidade em que todos nós vivemos - distantes ou não dos fatos citados e demais grosseiras tragédias sociais que enfrentamos no nosso dia a dia de "humanidade".
É interessante e engraçada a forma como nós - humanos - somos desumanos com a sociedade em que vivemos. A começar pelo lixo que produzimos e descartamos em qualquer lugar. Muitos justificam com um "Tem quem junte; se não jogar, não vai ter emprego...". Isso é vergonhoso. Você gostaria que um irmão, pai, ou mesmo seu filho trabalhasse juntando o lixo que vc joga na rua? Acredito que não. Você não gostaria de trabalhar juntando o guardanapo com o meu sangue ou cuspido de nojo.

Hoje coisas tão frequentes se repetindo ao redor do mundo passam por nós como algo comum, normal, que faz parte do cenário. Oras, como pode um terremoto que custou a vida de mais de 100 mil pessoas - ok, talvez nem todos tenham morrido, mas suas famílias sim, suas fontes de renda, de alimento, de água, de higiene, de paz, sim - por exemplo de pessoas como Zilda Arns (além de outros desconhecidos que trabalhavam pelo bem da população) ser algo comum?

Há vários governos, destaque para EUA e Brasil (sim, EUA) que os estão ajudando. Tão lindo não é? Fico muito feliz por isso. E ao mesmo tempo sinto nojo. Claro, porque no nosso muro de Berlim particular eu percebo que nós subimos uma escada e olhamos para o horizonte, vemos as guerras no centro-leste europeu, terremotos na América central, Ásia e Oceania, as guerras civis intermináveis na África, confrontos étnicos na Irlanda e Espanha, ataques terroristas no Oriente Médio e alguns casos ao redor do mundo... E nos apiedamos. Sentimos tanto por aqueles irmãos que estão se perdendo na violência!
Assaltos em SP, tiroteios no RJ, a violência na periferia de nossas cidades... E não conseguimos ver a desgraça na periferia de nossa vida medíocre. Sabe por que? Porque nós não olhamos para o lado, nem para baixo, próximo ao nosso muro particular. Já que ali, na nossa Berlim, estamos seguros, não somos capazes de perceber aqueles que clamam por socorro em nossas voltas.

QUE FIZEMOS COM NOSSAS VIDAS?

Vocês devem estar se perguntando "Será que ele está falando da mendicância? Da violência doméstica? Das drogas e do tráfico de pessoas e mercadorias?" Não, seus manés. Eu estou falando, além disso, das enchentes que estão acontecendo no nosso país. Alguém já fez alguma coisa pra ajudar? VOCÊ já fez alguma coisa pra ajudar???

Em nossa boca não existem mais palavras de verdade. Apenas uma maquiagem barata, comprada num camelô, que serve para cobrir as marcas da preocupação, do medo do stress que passamos diariamente. Pra quem não entendeu, eu estou falando de rugas, porque na verdade, é isso que são as rugas. Admita logo. E quando surge um problema, o que fazemos? Nos afastamos de todo mundo. Por que não pedimos ajuda, desculpas ou coisa assim? Quando rola uma briga porque você está com problemas, vc se afasta. Quando o outro está com problemas, você o agride e ele se afasta. Ninguém pensa na ajuda. Se há um desequilíbrio vamos descobrir onde está o ponto fraco e fortalecer as nossas bases, por que não?

É isso o que eu penso. Apenas espero que a chuva desse novo dia caia como uma luva, um dilúvio, um delírio... Que a noite caia de repente, tão demente quanto um raio, para que a realidade se esvaia por um instante pelo menos, para que eu possa descansar e assim conseguir quem sabe algo como um alívio imediato...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Imaginações aleatórias, interpretações diversas

Há aproximadamente um mês atrás (ou mais) a Fabiana me pediu pra postar sobre a música Dom Quixote, do Engenheiros do Hawaii. E eu fiquei me perguntando o que é que se pode falar sobre essa música. Sim, porque para alguns que sabem de minhas histórias, ela fez parte de um momento de "queda", problemas amorosos, sabem como é. Agora, já recuperado de todo o drama e inclusive com o perdão de ambas as partes, simplesmente não há o que dizer sobre essa música.

Sim, mas isso até ontem, ou sexta, talvez (março). Porque esse fim de semana (também em março) serviu para pensar, bastante até, refletir sobre algumas canções do portoalegrense (eu ia dizer "gaúcho", mas me parece que o Humberto fica puto quando o chamam assim), conversas de msn, reflexões sobre a vida e sobre os pensamentos.

O blog se chama Variações de um Mesmo Tema não à toa, ou porque soa bonito. É porque, no fundo, todos os posts falam sobre o pensamento, sobre as várias interpretações que podemos fazer do mundo, do dia-a-dia, da vida. E então, por que não tentar pensar novamente sobre essa canção, num novo ponto de vista, num novo momento?

Dom Quixote (Engenheiros do Hawaii)

Muito prazer, meu nome é otário
Vindo de outros tempos mas sempre no horário
Peixe fora d'água, borboletas no aquário

Muito prazer, meu nome é otário

Na ponta dos cascos e fora do páreo

Puro-sangue puxando carroça


Um prazer cada vez mais raro

Aerodinâmica num tanque de guerra

Vaidades que a terra um dia há de comer


"Ás de Espadas" fora do baralho

Grandes negócios, pequeno empresário

Muito prazer, me chamam de otário

Por amor às causas perdidas


Tudo bem... Até pode ser

Que os dragões sejam moinhos de vento
Tudo bem... Seja o que for

Seja por amor às causas perdidas

Por amor às causas perdidas


Tudo bem... Até pode ser

Que os dragões sejam moinhos de vento

Muito prazer, ao seu dispor

Se for por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas


Representação de Dom Quixote, de Miguel Cervantes

Então eu me pergunto: quem seríamos nós? Dom Quixote? Moinhos? Ou seríamos as causas perdidas? Interessante que no começo ele se compara a coisas nobres sendo utilizadas para fins fúteis. Mas, por quê? Com que objetivo?

Acaso não há em nosso meio pessoas que vivem assim? São pessoas com potencial que são menosprezadas, que se rebaixam diante de qualquer situação, que se rebaixam diante de alguém só porque determinada pessoa possui um título de graduação, um cargo numa empresa ou no governo. Seria isto a sociedade? Por que eu deveria me rebaixar diante de alguém que possui um doutorado, um mestrado, que estudou no exterior ou que é um ministro, um prefeito, governador, presidente? Sabemos que não são pessoas tão "grandiosas" assim que ocupam boa parte dos cargos públicos hoje. Então, por quê?

Enfim, as causas perdidas talvez não sejam causas perdidas. é uma causa perdida lutar contra a guerra no Oriente Médio, no Rio, em Campo Mourão, na África? É uma causa perdida lutar por aqueles que têm fome, que sentem frio? É perdida a ação daquele que se associa a uma rede internacional como o Avaaz, por exemplo, que coleta assinaturas ao redor do mundo para enviá-las aos líderes do G-20, nas cúpulas trimestrais que acontecem? Eu sou parceiro do Avaaz e participo de praticamente todas as campanhas, e posso dizer que temos conseguido algum êxito em nossas negociações. Barack Obama é uma nova esperança também para nós. Seria ele também uma causa perdida? Sim, porque na verdade ele não influencia coisa alguma no mundo. É só mais um nome. A vida da maior nação do mundo, levada à falência pela corrupção e má administração não nos influencia?? Exemplo: gasolina importada dos EUA e O.M., a R$2,65/L. Países auto-suficientes no petróleo vendem a R$1,70 +-. Isso sem falar que a nossa gasolina é uma das que mais possui álcool na mistura - cerca de 24%.

Sinto por aqueles que lutam ainda hoje, como os membros da Associação de Proteção aos Animais São Francisco de Assis, de CM, do Avaaz, do Greenpeace, do Sea Shepherds, PETA, WWF, Leitura Brasil, Teatro Mágico, os jogadores de futebol que investem nas crianças carentes, as pessoas normais que investem nas crianças, como o Projeto Cáritas, tbm de CM... Por mim, que fico aqui postando essas bobagens enquanto a humanidade se acaba em guerras, corrupção, drogas, etc... Não estou com vontade de ficar pensando nesses aspectos agora.


Pra encerrar a discussão, digo o seguinte:

- É fato que Deus é soberanamente Justo e Bom, Ama a todos incondicionalmente e jamais nos deixará perecer diante de Si;

- Tudo o que acontece no Universo tem um propósito. As coisas não acontecem por acaso e absolutamente tudo tem um lado positivo. Sempre;

- A estes que me dizem dom Quixote, tal como me denominei um dia, por conta de uma desilusão (demoninação essa com motivo), meus pêsames. Vocês estão perdendo sua vida com ideais pessimistas e pouco progressivos;

- Àqueles que me apóiam, que eu apóio, aos que trabalham pelo futuro da humanidade (e não pelo futuro de sua poupança, como essas entidades citadas anteriormente), assim como toda a população que faz sua parte para a preservação da nossa mãe Natureza e da nossa sociedade, sinto-me extremamente satisfeito, muito feliz mesmo ao pensar em tudo o que fazemos e em tudo o que ainda podemos fazer, se assim o desejarmos. Não desistamos de nossa caminhada!

- Sobre tudo isso que eu disse para encerrar o post, jamais generalizem minhas falas. As coisas que digo se encaixam à maioria, ou pelo menos, à parte mais evidente de determinado grupo de pessoas ou objetos aos quais eu me referir. Por exemplo, se eu disser que políticos são corruptos, não quis dizer que são TODOS corruptos, mas sim a maioria ou a parte mais evidente desse grupo. =)

Espero que tenha conseguido agrdar aos que esperavam por esse post ;)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Nem todo nonsense faz sentido...



Olá, amigos, como foi o fim de semana??
Hoje vamos falar um pouco sobre o Engenheiros do Hawaii, como já disse, minha banda favorita para estudar as letras, cheias de subjetividade. Mas primeiro, vamos ver a letra de "Sala VIP", do disco Várias Variáveis, 1991.

Não! Nem vem que não tem!

Eu não devo nada pra ninguém!
Nem vem que não tem!
Eu não devo nada pra ninguém!

Você pode falar o que bem entender
Você pode entender como quiser

Mas, não! Nem vem que não tem!
Eu não devo nada pra ninguém!


Me deixa fora dessa guerra santa

Me deixa fora dessa guerra santa

Senta a pua, quebra o pau

Manda brasa, solta franga

Sai de baixo, baixa a lenha
Manda ver, roda a baiana

Entra de sola na sala vip

Mas me deixa fora dessa guerra

Santa ignorância (haja paciência!)


Não! Nem vem que não tem!

Eu não devo nada pra ninguém!

Nem vem que não tem!
Eu não devo nada pra ninguém!


Você pode achar que não é bem assim

Você pode achar assim bem melhor

Mas, não! Nem vem que não tem!

Eu não devo nada pra ninguém!


Tô de saco cheio!!!
Chega, deu pra mim!!!
Eu não sou do meio
Sou do princípio ao fim
Eu não sou do meio
Não sou do meio termo
Quero todos os gestos ou nenhum

Todos os sons ou o silêncio total

Nada de meias palavras

De duplo sentido


"Toma lá, dá cá

Toma lá, dá cá

Toma lá, dá cá

Ninho de cobras

Cobranças

O som do gelo num copo de uísque

Uma cascavel preparando o bote"


O bote!
O bote salva-vidas

Não! Nem vem que não tem!

Nem todo nonsense faz sentido!

(Não!) Nem vem que não tem!

Nem todo sentido é obrigatório!

(Não!) Nem vem que não tem!

Nem todo sentido faz falta!

(Não!) Nem vem que não tem!

!nem toda falta de sentido é sentida!

"Uma página arrancada, um segredo mantido.
Uma passagem subterrânea sob a praça da matriz.

Uma história mal contada, uma mentira repetida.

A verdade a ver navios..."


Bem, vamos aos comentários...
Claro que ouvir a música dá uma impressão bem mais realista, pois os versos entre aspas são falados com distorção, dá a impressão de ser outra pessoa falando, "por trás da cena" (da música, algo como "verdades ocultas").

Temos, no link do título, uma pequena biografia do Engenheiros do Hawaii, onde podemos perceber muitos dos sofrimentos e acusações enfrentadas pela banda, desde fascismo até elitismo e subversão. Segue um trecho do texto, comentários de Maltz e Gessinger:

"Um ano depois do revolta os Engenheiros lançam um novo LP - Ouça O Que Eu Digo: Não Ouça Ninguém. (...) surge aí também a primeira composição de Gessinger e Licks - Variações Sobre Um Mesmo Tema . Mais uma vez a banda é alvo da crítica, desta vez em relação aos clichês subvertidos presentes nas letras de Gessinger. Aí vai a justificativa:

Carlos Maltz: Somos absolutamente fascinados por isso, frases de efeito ou sei lá como chamam. De repente, duas coisas estandardizadas como o símbolo hippie e uma engrenagem, quando juntam vão formar uma outra coisa. Essa é uma viagem da banda.

Humberto Gessinger: O que me fissura nos ditados é que são super presentes. Fico atento pra pegar essas pérolas, essas frases de caminhão. A gente subverte uma palavra no fim e já cria um efeito ambíguo. O nonsense e o abstrato são geniais, o supra sumo da cultura ocidental. Mas hoje em dia eu tenho horror da sua vulgarização. Acham que todo nonsense faz sentido, caretearam. O que a gente tenta é sair desse atoleiro de nonsense. É buscar o significado e enlouquecer, desmistificar a razão. Pegar um ditado teoricamente careta e subverte-lo."

Capa de "Ouça o Que eu Digo: Não Ouça Ninguém", de 1988.

Então, percebemos. Eles próprios admitem a utilização de elementos ocultos nas composições da banda. A exemplo do Pink Floyd, eles sofreram influências do movimento hippie, além da prórpia cultura que os rodeava (pampas, MPB, Rock, entre outras coisinhas). Na música Sala VIP dá pra ter uma noção, pois ela foi escrita em '91, quando várias críticas já haviam sido feitas e desmistificadas (as principais aconteceram em '88 e '89, anos em que o EngHaw começou a ganhar espaço na cena nacional. Depois de O Papa é Pop (1990) eles se tornaram ícones da música brasileira e decidiram, então, falar um pouco mais sobre eles. No caso de Sala VIP Humberto e seus companheiros decidem acabar com as críticas de uma vez por todas: usando a própria subversão (nos trechos distorcidos, onde temos algumas pinceladas sobre política) e algo de ironia, eles dizem quem realmente são. Algo como "isso é assim e pronto, você querendo ou não".

Isso me faz lembrar daqueles engraçadinhos dos tempos de escola, que levam tudo o que se diz "por outro lado" (seja lá qual lado for esse). Mas sempre rolavam uns comentários sacanas. E no Brasil pós ditadura (sim, seguiram-se alguns costumes até os anos de '93 e '94, não vamos negar (vide censura de Gabriel, o Pensador, em '92, na Rede Globo, ao cantar seu novo hit "Hoje eu Tô Feliz (Matei o Presidente)", quando a transmissão do programa em que se apresentava foi suspensa em todo o país) várias críticas e censuras ainda surgiam diante de alguns comentários sobre política e políticos principalmente. Pra quem conhece Engenheiros em seu início, tem muitos comentários sobre política em suas entrelinhas. Beijos pra Torcida (Guerra Fria), Toda Forma de Poder (sobre toda e qualquer forma de poder mesmo, criticando inclusive o fascismo), Fé Nenhuma (Brasil), entre outras.

Algumas vezes a gente sofre com os espertinhos da escola. Outras, porém, surgem os "subversivos" e nos fazem entender quem realmente está por cima das situações...

Como eu sempre digo, conhecimento nunca é demais. Aliás, várias pessoas sempre dizem isso. E por que será que muitos não prestam atenção, não é mesmo?

Beijos pros amigos, amigas, namorada e familiares!

Amo todos vocês!