terça-feira, 3 de setembro de 2013

A Menina

No dia 31 de Agosto este texto deveria ter sido publicado. Porém, um possível erro no sistema de "Salvar/Publicar Automáticamente" fez com que o texto não fosse para a página. Com atraso, portanto, mas não com menos entusiasmo e alegria por mais esta publicação, criação e literalmente um presente, pra alguém que considero uma amiga, publico hoje, três dias após o prometido:

A menina tinha um ar diferente. Parecia menina, mas não era tão menina assim. Às vezes ela parecia tão menina que eu a olhava e pensava: "Mas é mesmo uma menina". Às vezes não. As vezes eu não pensava coisa alguma, apenas a deixava caminhar livre, pela calçada, até chegar no gramado e colher aquela florzinha amarela que cresce na grama.
- Olha! - ela dizia. - Um dente de leão. Tão bonito, tão simples, tão forte...
Eu a observava. Apenas observava. Um dia a menina ficou brava e me mandou embora. O que poderia eu fazer? Dei uns quinze passos para longe, parei atrás de uma árvore e fiquei ali, olhando. Teve uma hora que ela me viu. Dei bobeira, sabe como é. Ela me viu e gritou: "Vá embora, eu disse!". Eu havia feito algo que a deixara irritada. Mas nada mais poderia fazer para mudar aquilo. Subi numa outra árvore, não muito distante, e fiquei a observá-la por entre as folhas verdinhas, dia e noite. Mesmo em silêncio, ela sabia que eu estava lá e, às vezes, dava uma olhadela, de canto de olho, só pra ver o que eu estava fazendo.
A menina ficava lá, no seu universo particular. As vezes viajava, conhecia outros portos, encontrava portos velhos, fazia muito, ou fazia muito pouco, como ela quisesse. As vezes apenas dormia. As vezes acordava e me mandava acordar também. E eu acordava. Eu a observava por mais um dia e lá estava ela. Os cabelos marrom-claros amarelos azuis vermelhos marrom-claros voavam com o vento. O rosto cor de pele clarinha corava, ou ficava branco, ou ficava coberto pelo capuz da blusa preta. As unhas pretas brancas azuis roxas arranhavam a terra, pra pegar uma flor ou outra, ou arranhavam a pele, ou arranhavam o céu enquanto ela pegava estrelas perdidas.
Um dia eu estava dormindo e ela me derrubou do galho onde eu estava. Veio rindo, contente, conversou comigo naturalmente e até chorou, em dado momento. Mas ofereci meu ombro amigo e ela logo ficou bem.
E assim a menina foi, e assim a menina ia. Dia e noite, colhendo estrelas flores portos universos pessoas. Esta era a menina dos olhos brilhantes azuis verdes. Magrinha, pequena, mas com um abraço do tamanho do abraço de um lutador de MMA. Que as vezes era confusa, mas sabia sorrir e deixar tudo mais bonito.
A menininha que um dia foi menininha, e que agora não é mais. A menininha que, mesmo não sendo mais uma menininha, será pra sempre a menininha: magrinha, com abraço forte e um coração enorme.

Parabéns, May =)
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