terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Alívio Imediato

Post especial para milady Erilva, Imperatriz das terras quentes, a seu pedido. Espero que ajude a esclarecer algumas coisas. ;)

Esta pequena canção já teve várias versões e eu vou tentar mesclar alguns versos tentando não perder aquilo que for original.

O melhor esconderijo, a maior escuridão
Já não servem de abrigo, já não dão proteção
A Líbia bombardeada, a libido e o vírus
O poder, o pudor, os lábios e o batom

O melhor esconderijo, a maior escuridão
Já não servem de abrigo, já não dão proteção
Holofotes que iluminam a libido e o vírus
O poder, o pudor os lábios e o batom

Há um muro de concreto entre nossos lábios
Há um muro de Berlim dentro de mim
Tudo se divide todos se separam
A diferença é o que temos em comum

Que a chuva caia como uma luva, um dilúvio um delírio
Que a chuva traga alivio imediato
Que a noite caia de repente, caia tão demente quanto um raio
Que a noite traga alivio imediato

Não há nada de concreto entre nossos lábios
Só um muro de batom e frases sem fim
Holofotes nos meus olhos cegam mais do que iluminam
Nem caiu a ficha e já caiu a ligação

Há espaço pra todos, há um imenso vazio
Nesse espelho quebrado por alguém que partiu
A noite cai de alturas impossíveis
E quebra o silêncio e parte o coração

Há um muro de concreto entre nossos lábios
Há um muro de Berlim dentro de mim
Tudo se divide, todos se separam
Duas Alemanhas, duas Coréias
Tudo se divide, todos se separam

Que a chuva caia como uma luva, um dilúvio um delírio
Que a chuva traga alívio imediato
Que a noite caia de repente, caia tão demente quanto um raio
Que a noite traga alívio imediato


Observa-se uma grande sensação de desconforto com a realidade em que todos nós vivemos - distantes ou não dos fatos citados e demais grosseiras tragédias sociais que enfrentamos no nosso dia a dia de "humanidade".
É interessante e engraçada a forma como nós - humanos - somos desumanos com a sociedade em que vivemos. A começar pelo lixo que produzimos e descartamos em qualquer lugar. Muitos justificam com um "Tem quem junte; se não jogar, não vai ter emprego...". Isso é vergonhoso. Você gostaria que um irmão, pai, ou mesmo seu filho trabalhasse juntando o lixo que vc joga na rua? Acredito que não. Você não gostaria de trabalhar juntando o guardanapo com o meu sangue ou cuspido de nojo.

Hoje coisas tão frequentes se repetindo ao redor do mundo passam por nós como algo comum, normal, que faz parte do cenário. Oras, como pode um terremoto que custou a vida de mais de 100 mil pessoas - ok, talvez nem todos tenham morrido, mas suas famílias sim, suas fontes de renda, de alimento, de água, de higiene, de paz, sim - por exemplo de pessoas como Zilda Arns (além de outros desconhecidos que trabalhavam pelo bem da população) ser algo comum?

Há vários governos, destaque para EUA e Brasil (sim, EUA) que os estão ajudando. Tão lindo não é? Fico muito feliz por isso. E ao mesmo tempo sinto nojo. Claro, porque no nosso muro de Berlim particular eu percebo que nós subimos uma escada e olhamos para o horizonte, vemos as guerras no centro-leste europeu, terremotos na América central, Ásia e Oceania, as guerras civis intermináveis na África, confrontos étnicos na Irlanda e Espanha, ataques terroristas no Oriente Médio e alguns casos ao redor do mundo... E nos apiedamos. Sentimos tanto por aqueles irmãos que estão se perdendo na violência!
Assaltos em SP, tiroteios no RJ, a violência na periferia de nossas cidades... E não conseguimos ver a desgraça na periferia de nossa vida medíocre. Sabe por que? Porque nós não olhamos para o lado, nem para baixo, próximo ao nosso muro particular. Já que ali, na nossa Berlim, estamos seguros, não somos capazes de perceber aqueles que clamam por socorro em nossas voltas.

QUE FIZEMOS COM NOSSAS VIDAS?

Vocês devem estar se perguntando "Será que ele está falando da mendicância? Da violência doméstica? Das drogas e do tráfico de pessoas e mercadorias?" Não, seus manés. Eu estou falando, além disso, das enchentes que estão acontecendo no nosso país. Alguém já fez alguma coisa pra ajudar? VOCÊ já fez alguma coisa pra ajudar???

Em nossa boca não existem mais palavras de verdade. Apenas uma maquiagem barata, comprada num camelô, que serve para cobrir as marcas da preocupação, do medo do stress que passamos diariamente. Pra quem não entendeu, eu estou falando de rugas, porque na verdade, é isso que são as rugas. Admita logo. E quando surge um problema, o que fazemos? Nos afastamos de todo mundo. Por que não pedimos ajuda, desculpas ou coisa assim? Quando rola uma briga porque você está com problemas, vc se afasta. Quando o outro está com problemas, você o agride e ele se afasta. Ninguém pensa na ajuda. Se há um desequilíbrio vamos descobrir onde está o ponto fraco e fortalecer as nossas bases, por que não?

É isso o que eu penso. Apenas espero que a chuva desse novo dia caia como uma luva, um dilúvio, um delírio... Que a noite caia de repente, tão demente quanto um raio, para que a realidade se esvaia por um instante pelo menos, para que eu possa descansar e assim conseguir quem sabe algo como um alívio imediato...
Postar um comentário